Existem divergências acerca de quem foi o
fundador do método de Igrejas em células. Alguns dizem que foi o pastor Colombiano
César Catellanos,
o criador do movimento G12, outros que foi Juan Carlos Ortiz da Argentina, e aqueles que atribuem
ao coreano Paul Yonggi Cho, o pastor da maior igreja do mundo. Independente
de quem o tenha criado, é fato que muitas igrejas nos nossos dias têm adotado
esse modelo sob a justificativa de que é um método de crescimento e de maior
propagação do evangelho. Iremos analisar a luz das Escrituras se o fundamento
para o modelo celular é bíblico ou se é um método humanista secularizado.
Em primeiro lugar vamos
analisar a base bíblica utilizada pelos defensores do movimento celular.
Freqüentemente Atos 2.46 é usado como fundamento para esse movimento. Diariamente,
continuavam a reunir-se no pátio do templo. Partiam o pão em suas casas e
juntos participavam das refeições, com alegria e sinceridade de coração.Também Atos 5.45: E, todos os dias no templo, bem como de
casa em casa, não deixavam de pregar e ensinar que Jesus Cristo é o Messias.
Paulo e os apóstolos se reuniam de casa em
casa como visto nestes versículos, porém o método apostólico que fez a igreja
se multiplicar no primeiro século foi unicamente a pregação do Evangelho no
templo e nas sinagogas para grandes multidões, em grandes concentrações e não
em reuniões em lares. Foi em frente ao Pórtico de Salomão após curar um
aleijado que Pedro discursou para uma multidão que ouvia atentamente a cerca de
Cristo. Atos 5:12 diz que era nesse mesmo pórtico que o povo se reunia para
ouvir os apóstolos e onde sinais e maravilhas eram realizados entre eles.
Quando os apóstolos foram presos a mando do sumo sacerdote a instrução do anjo
que os libertou no cárcere foi: “Ide, apresentai-vos no templo e anunciai às
multidões todas as palavras da Salvação!”. Quando Saulo de Tarso se dirigiu ao
sumo sacerdote com a intenção de prender os cristãos, pediu que ele enviasse
cartas para as sinagogas de Damasco avisando que se houvessem seguidores do
Caminho ele, Saulo, estaria autorizado a levá-los presos para Jerusalém. Mais
tarde, já convertido, agora Paulo iniciava o seu ministério anunciando a Jesus
nas sinagogas, Atos 9.20. Em Atos 11:26, é na Igreja de Antioquia que Paulo e
Barnabé se reuniam ensinando a muita gente. Foi naquela igreja que o Espírito
Santo os enviou na sua primeira viagem missionária e onde na sua primeira
parada em Salamina eles proclamaram a Palavra de Deus nas sinagogas judaicas. Em
Antioquia da Psidia foi na sinagoga que eles anunciaram o Evangelho diante de
todos que ali se encontravam. Muitos dos judeus devotos e convertidos ao
judaísmo passaram a seguir a Paulo e a Barnabé sendo por eles evangelizados. No
sábado seguinte nessa mesma sinagoga o texto de Atos 13.44 nos diz que quase
toda a população da cidade se reuniu para ouvir a Palavra de Deus. Em Icônio,
Paulo e Barnabé pregaram na sinagoga conforme costumavam fazer e uma numerosa
multidão de judeus e gentios vieram a crer. O mesmo se deu em Tessalônica. As
Escrituras dizem que era hábito dos apóstolos anunciar o Evangelho nas
sinagogas. Atos 18:4 novamente nos mostra Paulo na sinagoga anunciando a Cristo
na cidade de Corinto, fazendo isso todos os sábados em que esteve ali. Atos
18:19,26 ; 19.28; 19:9;
Podemos ver que o método apostólico de
pregação do Evangelho era entre as multidões e grandes concentrações nos
templos e nas sinagogas, logo o argumento de que o modelo celular é com base no
modelo apostólico na igreja primitiva não se sustenta.
O método celular prega que o local as
circunstâncias e acima de tudo a persuasão humana são os elementos centrais. O
corpo a corpo, a criação de laços sociais são necessários para que seja pregado
o Evangelho. As reuniões sempre iniciadas por “quebra-gelos”, compartilhar de
vivências, regadas a guloseimas onde a ordem é tratar em primeira mão de
assuntos não religiosos para ganharem a confiança das pessoas. (Ralph
Neighbour-Manual do Líder de Célula, p.39,41) .
O método apostólico continha a pregação e nada mais.
“No Novo Testamento
nunca se ouve falar do
método”quebra-gelo” antes da pregação de
Pedro, nem do método de se tomar refrescos depois da pregação de Paulo, nem tampouco se ouve
falar no livro de Atos que os apóstolos
fizeram reuniões em lares que consistiam de uma mistura de lazer
somado a uma caricatura de culto com
participação de pagãos”.Rev.Moisés C.Bezerril.
Um segundo ponto que gostaria de chamar a
atenção é que a visão da igreja em células segundo os seus fundadores seria uma
nova visão dada por Deus. Castellanos
havia recebido uma visão de Deus para criar o sistema das células baseado nos
12 discípulos de Cristo e que assim o número de convertidos que ele iria
pastorear era maior que as estrelas do céu
e os grãos de areia do mar. Comiskey disse que Deus começou a falar com
ele, dizendo-lhe que ele tinha de começar um ministério em células. Como disse Paul Washer falando sobre novos
movimentos: “A maioria desses movimentos sempre tem como base uma nova
revelação de Deus, rejeitam o velho, dizem que aquilo que é velho não é bíblico”.
Como assim? O que seria mais bíblico do que o fundamento dos apóstolos que
lançaram as bases da Igreja da qual Cristo é a pedra angular?!
Existe muito a se falar sobre esse vasto
assunto, porém algumas conclusões que podemos tirar é que existem grandes
falhas na eclesiologia desse movimento, carecendo de fundamento bíblico para se
sustentar. Existe muito misticismo envolvido na criação dessa “nova visão”. Apresenta-se
como um modelo pragmático e secularizado que atribui o sucesso ou o fracasso
das células a persuasão e habilidades humanas. Eles afirmam que a igreja em
células é um retorno a comunidade cristã de base, descrita no Novo Testamento.
Porém não há como provar que a Igreja neotestamentária era uma célula, na
verdade não há no NT nenhuma estrutura parecida com o movimento celular.
Que nós continuemos firmes aos nossos
fundamentos alicerçados na Rocha que é Cristo rejeitando a todas as novidades e
invencionices humanas. Sendo assim membros de um só corpo do qual Cristo é a
cabeça agora e para sempre. Amém.
REFERÊNCIAS:
BEZERRIL. Moisés. C. Igreja em Células: Uma Ameaça à Eclesiologia Reformada e ao Pastorado Apostólico.
Manual do Lider de Celula,
de Ralph W Neighbour Jr.
Crescimento Explosivo Da Igreja Em
Células, de Joel Comiskey.
Treinamento Evangelístico com Paul Washer (Tema 1)
" Arrependimento"https://www.youtube.com/watch?v=JJsKTft5ELY
BEZERRIL. Moisés. C. Igreja em Células: Uma Ameaça à Eclesiologia Reformada e ao Pastorado Apostólico.


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