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ANDAR DE ACORDO COM A VOCAÇÃO QUE FOMOS CHAMADOS


Efésios 4:1-7
Diana Lima

Todos os homens nascem com uma finalidade, conforme o Breve Catecismo de Westminster 1ª pergunta: Qual é o fim principal do homem? O fim principal do homem é glorificar a Deus, e gozá-lo para sempre. Precisamos compreender isso com seriedade para pudermos viver atentamente ligados com os propósitos de Deus para a nossa vida. Quando fala-se de vocação, há os que enchem o peito pensando nos grandes progressos que terão na vida eclesiástica, nas honras e pompas que alguns pastores das tele igrejas ostentam. Outros imaginam-se como grandes líderes e fazendo sucesso entre os teólogos famosos, há os que vêem a vocação como um fardo e tentam fugir da responsabilidade, também aqueles que nem sabem o que significa vocação e passam a vida a mercê dos acontecimentos. Em todas essas opções que o homem ambiciona está totalmente afastado da sua verdadeira vocação e do propósito de glorificar a Deus e gozá-lo para sempre, são perspectivas miúdas que a nossa vaidade pecaminosa nos mergulha e ficamos cegos, brigando por posições humanas e sucesso passageiro. Pensando nisso, vamos compreender nessa mensagem: 1. O que é vocação? 2. Como é o andar daqueles que são vocacionados ao ministério? 4. O que falta para você exercer sua vocação?

1. O QUE É VOCAÇÃO?

Vocação é um termo similar à chamado, do grego: καλέω (kaleo) que significa — chamar, nomear Mt 22.43,45; 23.7s, 10; Rm 9.26; 1 Pe 3.6; Convidar Mt 22.3, 9; Jo 2.2; Convocar Mt 2.7, 15; Mc 3.31; At 4.18; 24.2. Ao longo da história do povo de Deus ele chama o seu povo de várias maneiras, tanto no Antigo, quanto no Novo Testamento Deus chama o seu povo conforme os seus propósitos e para a honra e o louvor da sua glória.

Os discípulos de Cristo são todos convocados para seguirem-no, assim também é com todos os que são vocacionados, chamados para vários propósitos conforme a vontade de Deus. Ele chama para a salvação (2 Pe 1.10), para a liberdade (Gl 5.13), para sermos de Jesus Cristo (Rm 16. 25,26) e para a ceia das bodas do Cordeiro (Ap 19.19). Todo chamado se dá segundo o Seu propósito (Rm 8.28) e somos encorajados a permanecer firmes (1 Co 7.20), andar de forma digna da nossa vocação (Ef 4.1) e vivê-la junto a outros igualmente chamados em Cristo (Ef 4.4). LIDÓRIO, (2015, p. 5)

Todos os salvos são consequentemente, chamados por Deus e para Deus. O fundamento do chamado não é o homem ou a igreja, mas sim Deus. E o propósito do chamado não é somente servir aos homens ou à igreja, mas a Deus. O apóstolo Pedro define o chamado da Igreja quando diz “vós sois geração eleita, sacerdócio real, nação santa, povo exclusivo de Deus, para anunciar as grandezas daquele que os chamou das trevas para a sua maravilhosa luz” (1 Pe 2.9). Estamos em Cristo porque Ele nos chamou. Não existimos ao acaso, a nossa vida tem propósitos definidos por Deus, toda a igreja de Cristo é convocada, vocacionada para a salvação, santidade, comunhão e missão. E a maior de todas as nossas vocações é glorificar a Deus.

Além do chamado/vocacional a que todos os redimidos são agraciados por Deus, ele também chama alguns dos seus filhos de forma específica. Isso a Bíblia nos mostra, a exemplo do chamado de: Abraão, Moisés, Josué, Davi, Jeremias, Maria, Jonas, os discípulos de Jesus e muitos outros homens e mulheres de maneira singular para propósitos determinados por Ele.

2. COMO É O ANDAR DAQUELES QUE SÃO VOCACIONADOS AO MINISTÉRIO?

Rogo-vos, pois, eu, o preso do Senhor, que andeis como é digno da vocação com que fostes chamados, com toda a humildade e mansidão, com longanimidade, suportando-vos uns aos outros em amor". Efésios 4:1,2

A humildade em servir a Deus e ao seu povo deve ser a prioridade da nossa vocação. Dons e ministérios, não devem estar ligados a uma posição de destaque ou superioridade na Igreja. Quem faz uso do ministério para se destacar ou se impor não entende o significado da vocação bíblica. Diferentemente, aqueles que são chamados ao ministério são chamados primordialmente para servir. Andar de acordo com a dignidade da vocação com que fostes chamados, a primeira virtude é a humildade, aliada à mansidão e por aí vem uma série de prerrogativas quanto ao temperamento humano que o Senhor vai nos moldar para que possamos ser úteis ao seu serviço.

Humildade é uma palavra cunhada pela cristandade (ταπεινοφροσύνη) – tapeinofrosyne, no grego essa palavra só remetia á algo semelhante á baixeza, não era considerada uma virtude, no pensamento grego pagão o que há de mais parecido é a μεγαλοψυχία – megalopsychía: mangnanimidade. De acordo com o comentário de Willian Barclay à carta aos Éfésios:

Nos dias anteriores a Cristo a humildade foi considerada sempre como algo baixo, rasteiro, servil e ignóbil. E, entretanto, o cristianismo a colocou justamente em primeiro plano entre todas as virtudes cristãs; é de fato, a virtude da qual dependem e provêm todas as demais virtudes. BARCLAY, (p. 86)

O apóstolo Paulo vem mostrar que os cristãos não poderiam viver uma vida cristã apenas de teoria, precisavam passar da fase de apenas saber, para o fazer cristão. John Stott afirma no seu comentário: A Mensagem de Efésios: A nova sociedade de Deus:

Agora, o apóstolo avança da nova sociedade para os novos padrões nos quais ela deve andar. Volta-se da exposição para a exortação, daquilo que Deus tem feito (no indicativo) para aquilo que nós devemos ser e fazer (no imperativo), da doutrina para o dever, “da credenda... para a agenda”, da teologia intelectualizada para as suas implicações terrestres, práticas e concretas, no viver de todos os dias. STOTT, (2001, p. 233).

O andar, o proceder dos vocacionados por Deus deve ser pautado no amor, na humildade, longanimidade e paciência amorosa para com os outros. Não é possível exercer uma vida cristã autêntica sem atentar para a seriedade de textos como esse. Quando estamos na unanimidade, na comunhão de uma confraternização podemos exalar todas essas virtudes, porém elas são provadas ns momentos de embate, nas discordâncias, nas tentações e oposições que teremos ao longo da nossa caminhada.

3. O QUE FALTA PARA VOCÊ EXERCER SUA VOCAÇÃO?
Na introdução do livro Vocacionados de Ronaldo Lidório ele descreve primorosamente o conceito de vocação:

A vocação de Deus é pessoal, intransferível e incontestável. Pessoal, pois Ele chama pessoas e não coisas; gente e não instituições. E ao chamar Deus lança no coração de Seus filhos uma profunda convicção de propósito – a busca por estar no lugar certo, na hora certa e fazendo o que Ele deseja de nós a cada dia. Intransferível, pois o propósito de Deus é único e personalizado. A vocação não é um projeto, mas um estilo de vida. Não se baseia em uma lista de tarefas, mas em um relacionamento único, pessoal e intransferível com o Pai. Incontestável, pois a voz de Deus é clara. Ao chamar Ele produz em nossos corações profunda convicção e, quando fora do Seu propósito, incômodo. Sua palavra é comparada a “muitas águas” (Apoc 1.15) e ao “trovão” (Is. 33.3). Ele sempre se faz ouvir. Quando Deus chama somos tomados pelo desejo de segui-lo – e tudo o mais só ganha sentido neste caminho. LIDÓRIO, (2015, p. 5)

Os seminários e as escolas teológicas voltaram a ser buscados, contudo, o nosso publico alvo mudou, e os propósitos de algumas dessas instituições tem se tornado obscuros em relação à verdadeira vocação. Alguns buscam estudar Teologia para competir com a sua liderança, outros para complementar seus estudos, fazer concursos, ainda é o caminho mais próximo de conseguir galgar um curso superior bastando apenas convalidar e já poderá desfrutar dos benefícios de um curso superior, e poucos porque desejam servir melhor a Deus, ajudar mais na sua igreja local, qualificar-se melhor para exercer a vocação do ministério ao qual foi chamado por Deus.

Alguns seminários perderam o cunho espiritual e tem se preocupado apenas com a qualidade acadêmica, a espiritualidade têm se tornado individual e não mais é da conta da instituição. Aí surge a pergunta: que tipo de Teologia pretendemos ensinar? Será aquela das querelas dos mestres medievais? Ou uma Teologia que não se comunica com a espiritualidade, apenas com meros repetidores de conceitos teológicos, será que o espaço das instituições Teológicas deve ser apenas reservado ao aprendizado teórico? É importante rever as nossas práticas, aliar o que ensinamos com o que vivemos, ou estaremos formando pessoas que não serão úteis ao reino de Deus.

Assim como temos nossos erros a serem corrigidos, também há uma crise naqueles que se consideram chamados, sim. Porque alguns se consideram, quando são aferidos por Deus na profundidade da sua vocação, percebem que não sabem nada a cerca da responsabilidade que a vocação requer da sua vida. Isso provoca muitas crises na vida de alguns, desistências, trancamento dos cursos, insatisfação pessoal e mudança de foco. Tudo isso acontece quando ainda não compreendemos que não somos o centro das atenções, que a nossa vontade precisa ser submissa à vontade de Cristo, nosso eu precisa morrer e os nossos projetos e ambições pessoais precisam passar de principais para secundários nessa hierarquia. É importante compreendermos todos os pontos que Lidório pontua na sua definição de vocação:
• A vocação de Deus é:
• Pessoal
• Intransferível,
• Um estilo de vida.
• Não se baseia em uma lista de tarefas
• Incontestável, pois a voz de Deus é clara.
• Produz em nossos corações profunda convicção.
• Quando fora do Seu propósito, produz incômodo.
• Sua palavra é sempre ouvida.
• Quando Deus chama somos tomados pelo desejo de segui-lo.
• Tudo o mais só ganha sentido neste caminho.

Porque será que a nossa vocação não está clara? O que tem impedido o exercício dessa vocação? Precisamos analisar isso na nossa vida e compreender que vocação não é como uma lista de tarefas de A a Z que vamos elegendo algumas prioridades e deixando outras. Se já fomos salvos em Cristo, somos membros de uma igreja, temos a oportunidade de freqüentar um seminário, o que nos impede de exercer a nossa vocação? Será que teremos um comportamento piedoso somente quando terminar o curso? As orações, o serviço cristão, a santidade, a obediência, só serão parte da minha vida quando eu galgar uma posição eclesiástica? Para os que almejam o ministério pastoral, será que o estudo profundo de Teologia só virá no final do curso? Como tem sido o tempo dedicado a espiritualidade, a comunhão? Será que os que almejam o ofício de pastores e mestres tem se preparado para isso com humildade, mansidão, dedicação aos estudos? Ou isso parece um fardo? Porque alguns aspirantes ao pastorado tem tanta pressa em terminar o curso no seminário? O título de Teólogo para alguns é mais importante do que a vocação, a vaidade do ser humano em algumas situações, sucumbe à graça de ter sido escolhido por Deus para um ofício tão digno como o de apascentar as ovelhas do Senhor Jesus.

Que possamos entender o sentido de vocação. A seriedade e a responsabilidade que aqueles que atendem pelo título de filhos de Deus carregam, o tamanho do amor que foi derramado por nós através do sacrifício de Cristo. Que antes de ardentemente almejar títulos eclesiásticos, posições de liderança, possamos aprender pacientemente com humildade e obediência. Não é possível ser bem sucedido diante de Deus, um vocacionado insolente, arrogante, vaidoso e cheio de si. Não esperemos que as pessoas nos reconheçam pelo nosso talento e dons, mas, que possam reconhecer que o Senhor Jesus nos usa como instrumento seu. Senhor Jesus, dá-nos convicção, incomoda-nos e nos conduz nos teus propósitos benditos, não nos permita ser motivo de escândalo com as nossas decisões medíocres e o nosso coração teimoso. Levanta jovens vocacionados nas nossas igrejas, homens e mulheres sábios que possam reconhecer e investir na formação teológica deles. Oh, Senhor! Ajuda-nos a te servir com integridade, a compreender a nossa vocação. Sabemos que somos falhos, mas o Senhor nos usa pela sua misericórdia, apesar de sermos quem somos. Que o conhecimento nos aprimore e nos ensine que somos mais dependentes do nosso Trino Deus, retirando todo espírito faccioso e arrogante que possa atrapalhar nosso desenvolvimento espiritual.

REFERÊNCIAS

BARCLAY, William. Efésios. Tradução de Carlos Biagini. Disponível em:
. Acessado em 17 de janeiro de 2018, 13h.

BIBÍA. Disponível em: . Acessado em 16 de janeiro de 2018, 10h.

ΚΑΛΈΩ. In: Léxico do Novo Testamento: Grego/português. São Paulo. Vida Nova, 1993, p. 107.

LIDÓRIO, Ronaldo. Vocacionados. Ultimato. 2015, Viçosa, MG. Formato: PDF. 38 p.

O BREVE CATECISMO DE WESTMINSTER. Cultura Cristã. 2001. 96 p. Disponível em: <>. Acessado em 16 de janeiro de 2018, 11h.

STOTT, John. A Mensagem de Efésios: A nova sociedade de Deus. Tradução de Gordon Chown. ABU. 6. Ed. 2001. 476 p.









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