Segundo o Aurélio, “pragmatismo pode ser conceituado como tese fundamental de que a verdade de uma doutrina consiste no fato de que ela seja útil e propicie alguma espécie de êxito ou satisfação”. Logo, o pragmatismo religioso cristão estaria ligado à crença de que a doutrina cristã consiste na necessidade dela ser útil, propiciando êxito e satisfação aos seus ouvintes. O homem é o principal sujeito da sua sobrevivência e, consequentemente, responsável para promover o seu bem-estar. Mas alcançar esse bem-estar significa superar dificuldades, ou seja, apresentar soluções aos problemas de toda ordem e natureza. Esta condição transcorre por toda história e de modo mais acentuada nos tempos modernos, mais ainda no pós-moderno, em que a busca de resultados são exigidos de modo que o indivíduo é cada vez mais materialista e menos espiritual. O crescimento do conhecimento acompanhado do progresso da tecnologia tem levado a sociedade a produzir, sustentada num sistema capitalista com propostas neoliberais pressionando o homem para dar respostas e cada vez mais incentivar o consumo. Esta maneira de vida é frequentemente chamada como sociedade pragmática e tem sido identificada em todos os seguimentos inclusive nas religiões. No pragmatismo religioso encontramos muitas doutrinas, que são verdadeiras distorções do cristianismo primitivo. Estes seguimentos religiosos tem muita aceitação nos tempos de hoje, pois influenciam muito bem as pessoas para aceitarem uma igreja que faz realizar desejos pessoais. Vejamos em seguida alguns aspectos dessa temática no contexto da religião cristã: nos últimos tempos o cristianismo tem sido um meio de muitos líderes desenvolverem visões de igreja de ‘resultados materialistas’ e muito pouco resultado espiritual para uma vida com Deus. No século XIV surgiu uma corrente filosófica nos EUA criada por Wiliam James (1842-1910), considerado como uma das grandes figuras do pensamento norte-americano contemporâneo que, como alicerce do seu pensamento, Pragmatismo é caracterizado principalmente por defender que a verdade deve ter como critério sua eficácia ou utilidade. Um conhecimento é verdadeiro não só quando explica alguma coisa ou um fato, mas sobretudo quando permite retirar consequências práticas e aplicáveis ( William James (1995) Este pressuposto de entender ou de aceitar a verdade, não se trata de algum teste de modo sistemático como a ciência utiliza. Nesta filosofia, podemos pensar que não existe verdade se não tiver ou apresentar resultados de bem-estar ou prazer para o homem. Para James esta filosofia é conforme o autor da referência que diz “o pragmatismo aborda o conceito de que o sentido de tudo está na utilidade que qualquer ato, objeto ou proposição possa ser capaz de gerar”. Em outros termos isso significa reduzir a verdade a uma realidade. Vemos assim que a praticidade, a utilização, não é uma prova no sentido científico, mas é suficiente para dar veracidade ao propositor ou doutrina. Embora o pragmatismo não tenha em sua base o científico, contudo a sociedade moderna vive estruturada na concepção pragmática. A idéia de obter ou ter suplementada na razão práticas das coisas, já se encontra no inconsciente coletivo do povo (imaginário popular). Isto se apresenta em todos os níveis e tipos de organizações dentro da sociedade. No mundo de hoje, o indivíduo que realiza ou produz de como a apresentar soluções muitas vezes é visto uma pessoa pragmática, pois foi capaz de apresentar ‘superação’. Recomendo a leitura do clássico: A ética protestante e o "espírito" do capitalismo , escrito por Max Weber é um livro, no qual ele investiga as razões do capitalismo ter sido desenvolvido inicialmente em países como a Inglaterra e a Alemanha, concluindo que isso se deve a hábito de vida instigado ali pelo protestantismo na época, como o calvinismo, o pietismo e o metodismo (1996, p.43-72). É argumentado frequentemente que esta obra não deverá ser vista como um estudo detalhado do protestantismo, mas antes como uma introdução às suas obras posteriores, especialmente no que respeita aos seus estudos da interação de ideias religiosas com comportamentos econômicos. Weber avança a tese de que a ética e as ideias puritanas influenciaram o desenvolvimento do capitalismo. Tradicionalmente, na Igreja Católica Romana, a devoção religiosa estava normalmente acompanhada da rejeição dos assuntos mundanos, incluindo a ocupação econômica. Tais conflitos eram baseados na luta ascética. Ele define o espírito do capitalismo como as ideias e hábitos que favorecem, de forma ética, a procura racional de ganho econômico. Weber afirma que tal espírito não é limitado à cultura ocidental, mas que indivíduos noutras culturas não tinham podido por si só estabelecer a nova ordem econômica do capitalismo. Após definir o espírito do capitalismo, Weber argumenta que há vários motivos para procurar as suas origens nas ideias religiosas da Reforma Protestante. Weber mostrou que certos tipos de Protestantismo (em especial o Calvinismo) favoreciam o comportamento econômico racional e que a vida terrena (em contraste com a vida "eterna") recebeu um significado espiritual e moral positivo. O Calvinismo trouxe a ideia de que as habilidades humanas (música, comércio etc.) deveriam ser percebidas como dádiva divina e por isso incentivadas. Este resultado não era o fim daquelas ideias religiosas, mas antes um subproduto (p. 43-72, 1996). A Religião de Resultado O homem de hoje busca viver para o mundo, embebidos nos prazeres e necessidades de bens. Enquanto isso, a questão religião/espiritualidade é cada vez mais um elemento descaracterizado na cultura pós-moderna. No cristianismo atual podemos encontrar algumas linhas de evangélicos em que as verdades bíblicas não são mais o fundamento e as doutrinas de Cristo do modo semelhante (Pureza na Matriz Religião). Há hoje uma ‘indústria da fé’ com uma maquiagem de igreja que busca transcendência de um Deus doador. Em tais igrejas é visto uma teologia, por exemplo, da prosperidade em que o fim resume em coisas deste mundo. Nesses grupos religiosos seus líderes são bons ‘promotores da fé’ através da alimentação da esperança condicionada a um pensamento positivo e de necessidades pessoais. Esse tipo de religião dos últimos tempos tem de fato um caminhar de mãos dadas com os bens materiais. Elas estão apresentando um cristianismo em que podemos receber todo tipo de bem-estar espiritual e principalmente o material. Tais líderes oferecem o que povo quer obter e não o que o povo precisa conhecer. Isto, em outras palavras, é exercer a fé como meio de alcançar suas necessidades urgentes. Outro aspecto do pragmatismo religioso está associado às correntes de evangélicos pentecostais. Esta categoria de cristãos apresenta-se como aqueles que ‘parecem entender’ um evangelho genuíno somente se de fato existir os milagres, curas, etc. Para esses, a experiência do pentecostes é o sinal para mostrar que há poder na igreja e assim quem tiver apenas fé receberá. Nesse seguimento os milagres são os principais elementos da vitrine e não o milagre da transformação do ser. Nesse modernismo há uma conformidade com uma relação bem próxima entre religiosidade e a realidade social. Nesse sentido, os líderes dessas igrejas sabem que devem utilizar uma ‘doutrina para ter’ e assim haverá uma reunião de membros que enchem os templos para receber, obter solução etc. Ao contrário dessa visão doutrinária, eles não buscam uma ‘doutrina do ser’(não ontológica) em que aconteça transformações nas pessoas Tais líderes são os mais interessados, também, em resultados pois sustentam ‘impérios religiosos’ que precisam de muitos recursos para suas manutenções. ________________________________________________________________ William James (1842-1910) - O livro As Variedades da Experiência Religiosa foi lançado pela primeira vez em junho de 1902 Prof. Dr. Pedro Inácio de Lima Neto REFERÊNCIAS WEBER, Max. Economia e sociedade. Brasília: UnB, 2000. Julio Rique http://www.dhi.uem.br/gtreligiao - Artigos JAMES, W. As Variedades da Experiência Religiosa. São Paulo: Cultrix, 1995. JAMES, W. Pragmatismo, 1907 In: Coleção Os Pensadores: William James. São Paulo: Abril Cultural, 1979. WEBER, Max. A Ética Protestante e o Espírito Capitalista, 11ª Ed, São Paulo, Pioneiro, p.43-72, 1996.
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