O trabalho, trata da obra Ética e Infinito de Emmanuel Lévinas. Nesse texto procuraremos abordar a questão do respeito pelo outro, o rosto, o outro como infinito e outras questões de relevância no que se refere a ética de Lévinas.
Faremos uma breve análise do pensamento de Lévinas, acerca de uma ética
onde a pessoa é o infinito, onde a exterioridade do outro é respeitada, não
como se eu soubesse o que o outro sente, mas, por que o outro não sou eu, eu
não conheço o outro. Dessa forma, tentaremos compreender e falar a respeito
dessa ética, de forma simples e objetiva.
Totalidade e Infinito
O texto inicia tratando sobre totalidade e infinito, onde Levinas
responde acerca da oposição entre totalidade e infinito, visto que segundo a
pergunta feita, Totalidade e Infinito são opostas do ponto de vista da
ética. Essa ética moderna, que está ligada ao humanismo e um dos seus
principais atributos é a responsabilidade pelo outro. Lévinas inicia o texto
falando que: “[...] na história da filosofia houveram poucos protestos contra
essa totalização e que foi em Franz Rozensweig, que é essencialmente uma
discussão de Hegel, que encontrou uma crítica radical a essa totalidade.” (p.
67).
A filosofia de Lévinas é paradoxal, cheia de contextos contrapostos que
vai de encontro com a tradição da
reciprocidade, pois não precisa ser respeitado para respeitar. Está sempre
pronto e disposto para com o outro.
“[...] Quando, na presença de outrem, digo ‘Eis-me aqui’ é o espaço por
onde o infinito entra na linguagem, mas sem se deixar ver. Por não ser
tematizado, não aparece, em todo o caso, originalmente [...]” (LÉVINAS, p.98).
Dizer estou aqui, independente de conhecer ou não as outras pessoas. Nesse
sentido o corpo é todo rosto, ele me ordena, sou sempre seu servo disposto a
respeitar o infinito que está dentro de cada um que me apresenta. Não necessita
alguém pedir respeito você respeita independente de qualquer coisa que o outro
lhe faça, devemos sempre esta disposta a servir.
Lévinas esteve preso e foi torturado, mas quando saiu daquela situação
não quis se vingar, ele fez o que os outros não fez por ele, e continuou
respeitando mesmo aqueles que o torturaram. Este exemplo fica claro o quanto é
abrangente a sua ética em relação ao respeito para com os outros. Respeitar
quem nos respeita pode ser muito fácil. É necessário ir além da reciprocidade
dos que os outros nos fazem, temos que dar o que não recebemos, pois somos responsáveis
por todas as ações de todos os homens. Num desejo insaciável de ser ético,
tendo consciência de ser um trabalho inacabado, que percorre toda a vida.
Ainda, no que tange a essa abordagem inicial, Lévinas dar uma explicação
sobre a compreensão do surgimento da moralidade, e de acordo com o seu
pensamento, a moralidade tem um alcance independente e preliminar, também
afirma que a filosofia primeira é uma ética. Em seguida, coloca as relações
entre os homens como não sintetizáveis por excelência, ou seja, o outro e eu
não podem ser pensados conjuntamente, mas um diante do outro, não como uma
síntese, mas, uma junção de um frente a frente, onde o outro não é uma extensão
minha, ele é uma pessoa que precisa ser respeitada na sua individualidade como
infinito, um ser que eu não conheço, portanto, não posso tomar decisões por
ele, se assim procedo estou tentando dominá-lo.
O Rosto
De acordo com Lévinas, quando uma pessoa olha para o outro, a primeira
coisa que o seu rosto pede é, “me respeite”, o rosto é a parte mais desnuda do
ser humano, portanto seria a primeira coisa que nós agridiríamos nos outros,
ele ilustra essa passagem da seguinte forma: “O rosto está exposto, ameaçado,
como se nos convidasse a um ato de violência. Ao mesmo tempo o rosto é o que nos
proíbe de matar”. (p. 78). Ou seja, quando alguém nos olha de frente, se
tivermos a intenção de matá-la, com certeza iremos pensar duas vezes antes de
cometer tal ato, visto que o rosto do outro, clama por respeito.
Um olhar ético sobre o rosto, não é um olhar onde vemos apenas um nariz,
uma boca e um par de olhos, é antes de tudo um olhar de percepção e o rosto não
se resume apenas a esses atributos físicos. O rosto, de acordo com Lévinas é
uma significação sem contexto, devemos portanto dar um significado ao nosso
próprio rosto, além do que se apresenta diante de nós, pois o rosto não pode se
transformar num conteúdo.
O rosto também, é a sede inicial do nosso discurso, pois o rosto fala e
esse discurso, é a resposta ou a responsabilidade, ou seja, a relação autêntica
do ponto de vista de uma ética.. Essa responsabilidade que temos pelo outro,
não é de dominação, mas de respeito por ele, pois, a partir do momento que eu
tento enquadrá-lo num contexto que penso ser bom para ele, já estou caindo numa
relação de dominador, assim, o que eu consider bom para ele, pode não ser o que
ele deseja, dessa forma, o pensamento do senso comum de que: “faça com o outro
o que gostaria que fizessem com você”, não é ético para Lévinas, é necessário
partir do pressuposto de que eu não conheço o outro, porém devo respeitá-lo como
infinito e diferente de mim.
Esse discurso, tem duas divisões, o dizer e o dito, esse dito, é como uma
forma de imposição, algo que não foi refletido, enquanto que, o dizer leva em
consideração a individualidade do outro, ou seja, o dizer da gente não pode
responder pelo outro, esse dizer usa a consciência, reflete, ou seja, o dizer
pode ser considerado de uma forma simples como uma maneira evoluída do dito.
Embora, o dizer não seja mais o dito o dizer já foi refletido.
No aparecer do rosto do outro, já existe uma ordem, ou seja, não
matarás, ao mesmo tempo, que o rosto cria dois momentos no ser, respeito,
responsabilidade e desprezo e violência. Esse respeito e responsabilidade são
sentimentos já evoluídos, pois, não podemos transformar o outro mas o
relacionamento com ele.
No tocante ao respeito e responsabilidade para com o outro, podemos citar
o paradoxo de Lévinas, que, segundo ele,“entre eu e outro existe uma
distância e uma possibilidade.” (notas de aula). Ou seja, o meu próximo
precisaria ser uma terceira pessoa, a qual eu desprezo e não estou interessado,
ao invés de ser alguém eleito segundo as qualidades que me convém, que
interessam ao meu egoísmo. Eu preciso ser ético com outro, não porque ele será
comigo, nessa relação não é necessário haver uma reciprocidade para que eu aja
de maneira respeitosa e justa com o outro, as minhas ações precisam dar
exemplo, não importa se serei o único a agir com justiça, importa que evoluí no
meu modo de pensar e minhas ações precisam ser coerentes com aquilo que
aprendi.
Lévinas propõe um humanismo diferente do Heidegger, pois, segundo ele, o
humanismo de Heidegger se baseava mais no ser, deixando a desejar no tocante ao
humanismo defendido por ele. Portanto, propõe uma desconstrução da noção que se
tem de humanismo e a construção de uma nova baseada na responsabilidade.
O infinito para Lévinas, é uma saída da totalidade, ou seja, uma
libertação, também defende que a metafísica está relacionada com a ética, pois
o ser participa a partir do ente, ou seja o ser tem um relacionamento com o
ente, não é uma separação, pois o ser é abrangido na verdade. O infinito, é
muito mais do que a ideia de que temos dele, pois se víssemos o outro como
infinito, com certeza trataríamos o outro de uma outra maneira, com muito mais
respeito. Na opinião dele, a relação com o infinito não é um saber, mas um
desejo e esse desejo é metafísico, sem interesse, portanto, ético.
Lévinas esteve preso e foi torturado, mas quando saiu daquela situação
não quis se vingar, ele fez o que os outros não fez por ele, e continuou
respeitando mesmo aqueles que o torturaram. Este exemplo fica claro o quanto é
abrangente a sua ética em relação ao respeito para com os outros. Respeitar
quem nos respeita pode ser muito fácil. É necessário ir além da reciprocidade
dos que os outros nos fazem, temos que dar o que não recebemos, pois somos
responsáveis por todas as ações de todos os homens. Num desejo insaciável de
ser ético, tendo consciência de ser um trabalho inacabado, que percorre toda a
vida.
A nossa
relação com o outro não nos da o conhecimento total desse ser. Por mais próximo
que eu esteja do outro, vai ser sempre diferente esta relação, pois cada um tem
suas peculiaridades pessoais. O pai não vai ser o filho, nem o filho o pai,
cada um será um infinito para o outro. A glória do infinito é o que eu posso
fazer pelo outro, o infinito é o outro. Somos diferentes, posso me conhecer e
até conhecer a exterioridade do outro, porque está se manifesta no rosto, mas
não posso conhecer o interior, este é infinito e merece todo meu respeito.
Quanto mais justo eu for, mais responsável eu serei, ter respeito consiste nos
princípios de justiça e compromisso ético com todos os seres humanos. Nesse
processo, tem que ser sempre eu mesmo em relação ao outro, e o outro da mesma
forma em relação a mim. O outro não conhece meu interior, só apenas o exterior,
mas mesmo assim devo respeitar o outro em todo o seu ser, sabedor do infinito
que há dentro de cada um.
O infinito
é insaciável, o outro não é absorvido, pois é sempre infinito, se torna s
imensurável, devemos nos abster de crer na completude de nossas ações e ter
sempre em mente um trabalho inacabado do nosso dever, pois este esta sempre a
se construir e nuca pode ser dado por realizado. Buscar constantemente, um
caminho em do respeito que possa ser dirigido pautado na ética, como um
compromisso levado durante toda a vida. Caso contrário, poderíamos ser
totalmente hipócritas, acreditar que cumprimos nossa missão, pois ela está
sempre a se fazer.
O
testemunho evidência a intenção de se colocar para outro numa relação de
disponibilidade incondicional. Esse testemunho é uma forma de materialização do
dito. Todo dizer tem um dito, mas esse dito e a propiciado pelo dizer se
transforma em testemunho, reforçador do dizer. Mas o dito em sua exclusividade
é manifestação de irresponsabilidade e inerência de concordância, não se fixa
na verdade e no compromisso. O testemunho ético é uma revelação que não é
conhecimento. Este homem tem o compromisso messiânico de dar testemunho ao
mundo de seu compromisso com o outro.
REFERÊNCIAS
Ética e
infinito. Emmanuel Levinas.p. 67-103.


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