About Me

header ads

Análise Comparativa Entre Um Mito da Criação do Homem e o Relato Bíblico. Corrigido por Prof. Caio Ferreira

Sebastiana Inácio Lima (Diana) é graduada em Filosofia pela UEPB, cursa Bacharel em Teologia no STCNE e mestranda em Filosofia pela UFPB e realiza pesquisa sobre o pensamento de Tomás de Aquino.

De acordo com a proposta, analisar-se-á um mito da criação em comparação com o relato bíblico acerca da criação. Utilizaremos inicialmente para o embasamento mitológico, o texto Teogonia, de Hesíodo, poeta grego. O texto de Hesíodo narra, a criação do universo e a criação da primeira mulher, Pandora, além, de catalogar a origem cosmogônica de outros tantos deuses, heróis e musas que, fazem parte do panteão grego.
            Na Teogonia, o poeta grego, narra a origem do universo a partir de “quatro seres divinos primários: Caos, Gaia, Eros e Tártaro”[1]Vejamos a seguir a origem do universo na visão mítica de Hesíodo, e adiante no texto, será tratado acerca do mito de Prometeu e Pandora, deuses que serão usados como o cerne dessa análise comparativa:
Em verdade no princípio houve Caos, mas depois veio Gaia (Terra) de amplos seios, base segura para sempre oferecida a todos os seres vivos, [para todos os Imortais, donos dos cimos do Olimpo nevado, e o Tártaro (abismo) brumoso, no fundo da terra de grandes sulcos] e Eros, o mais belo entre os deuses imortais, o persuasivo que, no coração de todos os deuses e homens, transtorna o juízo e o prudente pensamento.[2]
           
Diante do texto de Hesíodo podemos perceber claramente que a criação do universo, a partir dos mitos cosmogônicos, perde totalmente a força argumentativa, frente a narrativa apresentada no livro do Gênesis. É sabido que a análise comparativa será feita sobre o mito da criação do homem, contudo, não impede de ser feita essa breve abordagem mítica sobre os quatro seres divinos primários descritos na narrativa do poeta na origem do universo.
Na narrativa mítica da origem do homem por Hesíodo, especialmente na Teogonia, o mesmo não aborda a criação do gênero masculino, porém, já parte diretamente a narrar o roubo do fogo, cometido por Prometeu. A feitura da primeira mulher, modelada da terra e com o propósito de castigar aos homens, pelo fato deles terem tornado-se detentores (conhecedores) do fogo. Conforme o texto, vejamos:
Zeus, que retumba nas nuvens, ficou profundamente ferido no coração e se irritou em sua alma, quando viu brilhar entre os homens o fulgurante clarão do fogo. Logo em lugar deste, ele criou um mal destinado aos homens. Com Terra o ilustre Coxo (Hefesto) modelou um ser em tudo parecido a uma casta virgem, pela vontade de Cronida (Zeus) …[3]
Ao falar sobre a mulher como “um mal destinado aos homens”[4]Hesíodo revela um certo teor de misoginia, outro fator que culmina numa comparação analítica, e Pandora simboliza a origem dos males, algo erroneamente atribuído a Eva, a primeira mulher da criação. O objetivo dessa afirmação é desfocar a responsabilidade do homem como a autoridade, o caput[5]do relacionamento conjugal.
            Além de Hesíodo, será utilizado nesse texto algumas citações de Thomas Bulfinch, extraídas do Livro de Ouro da Mitologia: Histórias de Deuses e Heróis. Trabalhar-se-á em Bulfinch o mesmo mito de Prometeu e Pandora, contudo, os nomes diferem da obra de Hesíodo, visto estarem sendo elencados a partir da nomenclatura romana, ou latina, e não apenas grego como na Teogonia.
            Na versão mítica de Bulfinch, não menciona qual deus arranjou e dispôs as coisas na terra, porém trata da criação do homem como a necessidade da existência um animal mais nobre, vejamos:
…Foi feito o homem. Não se sabe se o criador o fez de materiais divinos, ou se na terra, há tão pouco tempo separada do céu, ainda havia algumas sementes celestiais ocultas. Prometeu tomou um pouco dessa terra e, misturando-a com água, fez o à semelhança dos deuses. Deu-lhe o porte ereto, de maneira que, enquanto os outros animais tem o rosto voltado para baico, olhando a terra, o homem levanta a cabeça para o céu e olha as estrelas. [6]
Dentro da mitologia grega, Prometeu era um dos Titãs, uma raça gigantesca que habitou a Terra antes do homem, conforme o texto de Bulfinch, Epimeteu, o irmão de Prometeu, era encarregado de ajudar ao irmão dele na tarefa de “fazer o homem e garantir aos outros animais, todas as faculdades necessárias à sua preservação”[7]porém, Epimeteu gastou todos os atributos essenciais ao homem, figura principal, e que deveria ser superior aos animais; então, procurou o seu irmão Prometeu, que com “a ajuda de Minerva, subiu ao céu e acendeu a sua tocha no carro do sol, trazendo o fogo para o homem”[8]com esse recurso, o homem garantiu sua superioridade sobre os animais.
             A superioridade do homem, conquistada através da posse do fogo roubado por Prometeu, foi punida por Zeus, com a criação de Pandora.
            Diante da narrativa mítica, da origem do universo e a criação do homem, agora poder-se-á fazer uma comparação com o relato bíblico da criação. Em diversas culturas e religiões, principalmente as antigas, sempre há um mito da criação do universo e do homem. O mito trabalhado no presente texto foi o da mitologia grega, mas há inúmeros outros mitos da criação, sejam eles indianos, egípcios, indígenas, etc; sempre os homens naturais (entenda-se aqui, no sentido bíblico, de homens que não vivem segundo os preceitos bíblicos) buscam respostas às questões, baseadas no mito e nas fábulas.
            A Bíblia relata a criação do primeiro homem, pelo próprio Deus, do pó da terra e depois recebeu o sopro divino para sua existência, é interessante que a criação do homem no relato bíblico não se dá por acidente, nem por uma necessidade da divindade de Deus. O próprio Deus (a Trindade Santa) decide criar, visto que o verbo aplicado está no plural, (façamos), somente para a sua glória. Na verdade esse homem, é um ser ao qual Deus irá usar para cumprir os seus propósitos, tanto os que são revelados, quanto os insondáveis, visto que Deus é um ser grandioso e de mistérios.
            Um fator basilar para a refutação de qualquer narrativa mitológica em detrimento dos relatos bíblicos, principalmente no caso da criação do homem, é o fato da primeira mulher, Eva, ter sido criada sob aspectos que diferem totalmente da mitologia. A mulher, criada por Deus, foi feita para ser uma companheira idônea do primeiro homem, não representa de forma alguma, um mal arquitetado por Deus para punir as atitudes erradas do homem, nem de nenhum ser divino. Conforme Gênesis 2.16 “E disse o Senhor Deus: Não é bom que o homem esteja só; far-lhe-ei uma ajudadora idônea para ele”.
             A partir da análise comparativa do mito da criação e do relato bíblico, podemos inferir que, por mais que haja diversos mitos cosmogônicos, um sempre acaba se contrapondo ao outro, trazendo informações de uma cultura ímpia, em que a oralidade era muito arraigada, além disso, o homem sempre teve anseio por respostas, e, recebe como verdade aquilo que está mais próximo do seu cotidiano. O relato bíblico, apresenta uma coerência de acontecimentos, uma ordenação que ao cristão parece bem mais razoável do que a mitologia. Quando colocamos dois modos de ver um acontecimento, e um deles se contrapõe ao nosso conjunto de crenças, aquilo que nos é sagrado, usaremos todos os artifícios de pesquisa, análise exegética, etc. Também é interessante passarmos pelo crivo da fé.
            Podemos concluir afirmando que, entre mitologia e relatos bíblicos, é sempre prudente crer na Bíblia, claro que sem se deixar ir pela opinião do senso comum, mas à luz da análise do texto bíblico e da seriedade da ortodoxia.


REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS


BULFINCH, Tomas. O Livro de Ouro da Mitologia: historias de deuses e herois. Tradução de David Jardim, Rio de Janeiro, Ediouro, 2006. 357 p.
HESÍODO, Teogonia. Tradução do original grego e comentários por Ana Lúcia Silveira Cerqueira e Maria Therezinha Arêas Lyra. Niterói, UFF, 1979. 104 p.
VERNANT, Jean-Pierre. Mito e Religião Na Grécia Antiga. Tradução de Joana Angélica D’Ávila Melo. 2006, São Paulo, WMF Martins Fontes, 93 p.

BÍBLIA:
BÍBLIA – Bíblia de Jerusalém. São Paulo: Paulus, 2002.






[1] HESÍODO, (1997, p. 29).
[2] HESÍODO, (1997, p. 29).
[3] HESÍODO, (1997, p.41)
[4] HESÍODO, (1997, p.41)
[5] Do latim: cabeça
[6] BULFINCH, p. 23).
[7] BULFINCH, p.24
[8] BULFINCH, p.24

Postar um comentário

0 Comentários