Resumo
Na história das religiões encontramos
a presença das mulheres como deusas e sacerdotisas nas sociedades politeístas.
Mas na formação do povo judeu esta prática não é continuada e os judeus adotam
uma religião monoteísta. Porém, encontramos passagens bíblicas em que podemos
identificar a presença masculina muito forte (patriarcal), apontando o homem
como o líder, e a mulher como uma auxiliadora, cooperadora no ministério
masculino. Mediante o que vimos nos textos bíblicos não podemos defender o
ministério feminino ordenado, mas defenderemos o ministério feminino à luz da
Bíblia. Falaremos do valor e da importância das mulheres no cenário bíblico e
nas religiões mundiais. Este artigo tem como objetivo abrir espaço para um
debate sadio, equilibrado, a fim de que todos possam pensar sobre o tema
livremente, concordando, discordando, construindo e desconstruindo pensamentos que não estão de acordo com as
passagens bíblicas, e procurando definir os papéis da liderança espiritual dos
homens e das mulheres nas igrejas cristãs.
Palavras
Chave: Deusas,
Ministério Feminino, Religiões, Sacerdotisas. Bíblia.
Summary
In the history
of religions we find the presence of women as goddesses and priestesses in polytheistic societies. But the formation of the
Jewish people this practice is continued and the Jews adopt a monotheistic
religion. However, there are passages in which we can identify the strong male
presence (patriarchal), pointing to the man as leader and woman as a helper,
cooperator in men's ministry. By what we saw in the biblical texts cannot
defend the female ordained ministry, but the female will defend the light of
Biblical ministry. We'll talk about the value and importance of women in the
biblical scenery and world religions. This article aims to make room for a
healthy, balanced debate, so that everyone can freely think about the topic, agreeing,
disagreeing, building and deconstructing thoughts that are not in accordance with the Scriptures,
and trying to define the roles of spiritual leadership of men and women in
Christian churches.
Introdução
“Sou a favor do ministério feminino, mas sou
contra o ministério feminino ordenado”
Na história
das religiões mundiais, percebemos a presença das mulheres como deusas e sacerdotisas,
exercendo em muitas delas autoridades espirituais. No Egito, na Suméria, na
Babilônia, na cultura Chinesa, na Hindu, na Ilha de Creta (crentenses), nas
civilizações minóicas, persas, nas civilizações gregas e romanas. Todas estas
eram sociedades politeístas (crença em vários deuses).
Já na
história do povo judeu, temos a Bíblia (Velho Testamento), como a principal
fonte de estudo dessa civilização. Nesta civilização encontramos ruptura com
esta prática (deuses e deusas). A presença masculino muito forte, como o cabeça
da mulher, revelando uma civilização patriarcal.
Este
artigo tem como objetivo promover uma reflexão sobre o ministério feminino
ordenado tão polemizado nas igrejas cristãs nas últimas décadas. Espero um
debate aberto, franco, a luz da Bíblia.
O povo egípcio acreditava que o faraó
era a certeza de que ele próprio sobreviveria ao longo dos tempos e esperava
ser feliz. Os sacerdotes e as sacerdotisas eram grandemente prestigiados e
poderosos, tanto espiritualmente como materialmente, pois dirigiam as riquezas
e os bens dos valiosos templos de dimensões avantajadas. Eram também
intelectualmente privilegiados (vulgo sábios) do Egito, guardiões dos segredos
científicos e dos mistérios da religião que se relacionavam com seus numerosos
deuses e deusas.
Os egípcios[2] eram um povo profundamente religioso,
portanto, acreditavam em vários deuses e deusas. O tipo de crença era o
politeísmo. A partir dos primeiros tempos da história da humanidade, os
cidadãos do Antigo Egito prestavam culto a inúmeras e estranhas divindades. O
que me impressiona é o porquê Moisés não leva todo esse panteão de deuses e
deusas para o deserto junto com o povo, pelo contrário recebe uma orientação de
Deus para construir o Tabernáculo no deserto e praticar uma religião e uma
espiritualidade diferentemente do que viu no Egito, ou seja, Moisés segue a
religião monoteísta.
Estas práticas culturais, simbólicas e religiosas migraram para muitos
povos, os babilônios, fenícios, persas, gregos, romanos, inclusive o Código de
Hamurabi influenciou a Cultura Bíblica, principalmente o Velho Testamento, mas
percebemos claramente que as mulheres judias não eram consagradas ao ministério
feminino ao sacerdócio. Em todo o Velho Testamento não temos a esposa do
sacerdote sendo sacerdotisa.
Os
Judeus (Velho Testamento)
Destacamos algumas mulheres que exerceram o seu ministério na história
do povo judeu, e nenhuma dela exerceu o sacerdócio ordenado. Vejamos: EVA, a mãe
de todos os viventes (Gênesis). SARAH, uma esposa submissa (Gênesis). REBECA,
uma mulher de fé hesitante. MIRIÃ, uma líder nata (Êxodo). RAABE, uma salvadora
sagaz (Josué). DÉBORA, uma juíza diferente, a líder de Israel (Juízes). RUTE,
uma fiel moabita (livro de Rute). ANA, uma mãe dedicada (1º Samuel). ABGAIL,
uma beldade inteligente (1ºSamuel). RISPA, uma testemunha silenciosa (2º Samuel).
A viúva de Sarepta (1º Reis). A rainha de Sabá (1º Reis). A serva de Naamã, um
instrumento de bênção (2º Reis). HULDA, a profetisa que mudou uma nação (2º Reis).
JEOSABEATE (2Cr 22.11), a esposa de um sacerdote (2º Crónicas). ESTER, uma
rainha corajosa (livro de Ester). A noiva Sulamita (Cântico).
“Sou a favor do ministério feminino, mas sou
contra o ministério feminino ordenado.”* (Augustus Nicodemus (2). Segundo o citado pastor em uma palestra no You tube,
o mesmo faz um relato histórico em toda a história bíblica e admite a impossibilidade
bíblica, histórica teológica do ministério feminino ordenado. O mesmo fala do
ministério das mulheres na Bíblia e cita Débora como juíza (função civil),
Hulda como profetisa, e admite que a mulher é inteligente e dedicada, o seu
empenho e papel na história, principalmente nas religiões que sejam cristãs ou
não. Diz que Jesus Cristo, no momento da escolha dos apóstolos, poderia ter
chamado Maria, sua mãe para ser apóstola, mas não o fez.
Jesus
(Novo Testamento)
Jesus
deu dignidade e valor a mulher, expulsou demônio de Maria Madalena, e permitiu
que a prostituta beijasse seus pés. As mulheres foram as primeiras a anunciar a
ressurreição, utilizou muitas mulheres nobres a serviço do reino, considerou o
ministério feminino, mas nunca ordenou nenhum delas a liderança espiritual, ou
até mesmo permitiu que uma delas exercesse os atos ministeriais. Quando na
escolha do novo apóstolo para substituir Judas, os apóstolos poderiam ter
escolhido Maria, mãe de Jesus, mas escolheram homens.
Segundo Augustus Nicodemus, o que podemos concluir é que Deus na sua
soberania resolveu designar esse ministério ordenado para os homens. No momento
em que os irmãos reclamaram das viúvas que “estavam sendo desprezadas na
distribuição diária”, convocou-se uma assembleia (havia mulheres presentes) e escolheram
sete homens de boa reputação (Atos 6). O ideal seria escolher sete mulheres
para cuidar da beneficência e das viúvas, mas não o fizeram. Isto nos deixa
muito claro que nas passagens bíblicas não há espaço algum para o ministério feminino
ordenado, e sim todo um incentivo ao ministério feminino (serviço)
O
apóstolo Paulo era conhecedor profundo da cultura greco-romana, e presenciou
nas suas viagens à religiosidade do povo e os deuses e às deusas, (diversidade
religiosa), mas não admitiu tal cultura na pregação do evangelho, e não designou
nenhuma mulher para o presbitério, apesar de contar com o apoio feminino e manda
saudações e agradecimentos as mulheres que cooperaram com o seu ministério (Rm
16).
Ao examinarmos o Novo Testamento, descobrimos
a posição das mulheres piedosas,
honradas e belas no mais alto grau. Maria –"agraciada"–"bendita
entre as mulheres"; sua
prima Isabel, mãe de João Batista. Ana,
idosa viúva de oitenta e quatro anos, dedicada ao serviço
de Deus, são as mais belas personagens diretamente ligadas ao nascimento de
Cristo. Maria, irmã de Lázaro “escolheu a melhor parte”, ao colocar-se aos pés do
Senhor para ouvir-lhe os ensinamentos. Foi ela que O ungiu para o Seu
sepultamento, uma ação que jamais perderá a sua fragrância "onde quer que este
Evangelho for pregado, em todo o mundo será também contado o que ela fez para
memória sua" (Mt 26:13). Febe, foi uma
servidora da igreja e socorreu a muitos (Rm 16:1). Lídia hospedou o apóstolo
Paulo em sua casa (At 16:40). Priscila ajudou Áquila a expôr com mais exatidão
o caminho de Deus a Apolo (At 18:26). Lembramos também das "mulheres gregas da
classe nobre" que creram (At 17:12).
Paulo, no final da carta à igreja em Roma, faz uma saudação e um claro elogio a
Trifena, Trifosa e Pérside, mulheres que trabalhavam no Senhor (Rm 16:12). A
Maria Madalena foi concedida a alta honra de transmitir aos demais discípulos a
ressurreição de Cristo (Jo 20:17). E o que dizer de Joana, mulher de Cuza,
procurador de Herodes, Suzana e muitas outras, as quais lhe prestavam assistência
com os seus bens” (Lc 8:3). Mulheres que
foram alcançadas pelo toque, pela presença poderosa de Jesus. Sara, apesar de
não estar na lista das mulheres do Novo Testamento, é nele citada com destaque
e permanece como o exemplo das "santas mulheres que esperavam em Deus, e estavam sujeitas
aos seus próprios maridos", pois lemos que "Sara obedecia a
Abraão, chamando-lhe senhor; da qual vós sois filhas, fazendo o bem" 1Pe
3:5,6.
Considerações Finais
Que belo e honrado
caminho foi trilhado por essas mulheres! Que possamos encontrar as descendentes
dessas piedosas mulheres entre nós! Os apóstolos Paulo e Pedro estabeleceram
algumas qualidades destinadas especificamente às mulheres. Estas
características servem como critérios para avaliar o perfil da mulher no Novo Testamento: “Da mesma sorte, quanto a
mulheres, é necessário que sejam elas respeitáveis, não maldizentes,
temperantes e fiéis em tudo.”1Tm 3:11
Pregamos que a Bíblia é
a nossa regra de fé e prática. Então, já que não há na Palavra de Deus nenhuma
orientação clara, com relação ao ministério feminino ordenado, por que avançar
um sinal que não está favorável (verde). Estamos atropelando as Escrituras, e
desconsiderando a recomendação do apóstolo Paulo em I Timóteo 2.12, e estamos praticando
uma cultura religiosa pagã desobedecendo a Deus, causando grandes prejuízos para as nossas igrejas, e a nossa
sociedade, e levando as mulheres a assumir um ministério ordenado que Deus, o
nosso pai não ordenou.
Parabéns as mulheres, pelo ministério que o Senhor Jesus tem confiado a
cada uma, continuem exercendo com amor e dedicação. Os sacerdotes, os profetas,
os reis, os apóstolos, os pastores, as igrejas, não teriam produzido e avançado
tanto, sem o abençoado ministério das mulheres.
GUARINELLO, Norberto Luiz. (2003) Uma morfologia da história: as formas da História Antiga. Politeia: História e Sociedade, vol. 3, n. 1, p, 41-61
BIBLIA, João Ferreira de Almeida. Português.
Bíblia sagrada. SBB, São Paulo.
[2] (2)Os mais antigos foram indivíduos do reino animal e cada ser humano
tinha o seu animal-deus como protetor. Prestavam cultos a gatos, bois,
serpentes, crocodilos, touros, chacais, gazelas, escaravelhos, entre outros.


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