
O papel da mulher cristã pode ir além de esposa de pastor, que aos poucos com o passar dos anos perde até a própria identidade, pode ir adiante de apenas a irmã que cuida das crianças e faz as atividades domésticas. Não que essas atividades sejam menos virtuosas, ou o título de (esposa do pastor fulano) seja humilhante, mas não é justo se perder em meio a multidão só porque nascemos numa condição de gênero feminino. Não quero aqui levantar uma bandeira feminista, mas, destacar uma mulher especial, Sara Kalley, que muitos a conhecem apenas como a pioneira da Escola Bíblica, ela foi, além disso, escrevia, compunha poemas, salmos, até “preparava sermões para serem lidos nos púlpitos pelos presbíteros da Igreja e até mesmo para o Sr. Kalley” (Cardoso, 2005, 205 – 208).
Negar a evolução intelectual da mulher através dos séculos é querer ocultar a história de inúmeras mulheres cristãs, anônimas ou não que dedicaram-se laboriosamente ao estudo, ao ensino, mesmo dentro dos limitados nichos masculinos. A mulher estudiosa antes da Reforma Protestante era a monja, que mesmo sem puder revelar esse conhecimento no reino dos homens, cumpria seu papel nas celas e jardins dos mosteiros e conventos. Com a advento da Reforma, o mundo mudou, as religiosas convertidas, as moças que queriam permanecer solteiras, ou dedicar-se ao estudo com fins eclesiásticos teriam que conformar-se ao papel de esposa de pastores, ou mesmo que não de pastores, mas o casamento era o ponto alto da vida feminina.
A mulher contemporânea não precisa almejar cargos que contrariem a Bíblia, mas, não há como ocultar a realidade de que ela está estudando, tem se destacado na Teologia e muitas são conhecedoras muito mais do que os homens, porém, sentimos que há um sentimento de tornar opaco tudo o que a mulher consegue colorir. É como se nosso lugar na igreja fosse sempre cedido, deixassem que nós pudéssemos existir, ensinar, pregar e ás vezes com ressalvas, cuidando excessivamente, porque podemos nos deixar sermos levadas pelas nossas fraquezas. Usar de mecanismos de desigualdade para cercear o desempenho dos dons femininos na obra de Deus é um erro grasso, Deus sempre usou as suas servas, desde que estejam em conformidade com a sua Palavra.
Sem disputas, sem comparações, sem ismos, vamos estudar e deixar que os dons de Deus sejam evidenciados na nossa vida, não necessariamente devemos ser a sombra da intelectualidade masculina, a coadjuvante, mas a adjutora idônea. Uma mulher que faz história, porque aprendeu a depender de Deus e conhecer sobre Ele o que de fato deve ser conhecido.
REFERÊNCIA
CARDOSO, Douglas Nassif. Cotidiano Feminino no Segundo Império. São Bernardo do Campo, SP. Ed. Do Autor.

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