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A Felicidade em Epicuro - Sebastiana I. Lima


A felicidade ou beatitude é o caminho à qual, todos os seres humanos ambicionam chegar. Não buscamos a tristeza, a desonra, o sofrimento, é naturalmente perceptível que sentimos necessidade de conforto para o nosso corpo a alívio para a nossa alma. Desde a antiguidade, que diversos filósofos e estudiosos investigam a questão da felicidade, além disso, a felicidade é um conceito bastante debatido nas mais diversas religiões.

Para esse pequeno comentário vamos mencionar um filósofo que pertenceu a uma das maiores escolas filosóficas da época helenística e da filosofia em geral, seu nome é Epicuro (341-270 a.C), ele foi o criador do Jardim “o lugar escolhido por Epicuro para a sua escola é a expressão da novidade revolucionária do seu pensamento: não uma palestra, símbolo da Grécia clássica, mas, um prédio com um jardim (que era mais um horto), nos subúrbios de Atenas”.

Epicuro é em algumas situações, mau interpretado por aqueles que não mergulham minimamente no seu pensamento, chegando a confundir que o seu pensamento é uma apologia ao prazer desmedido ou egoísta. Existem muitos equívocos no que tange à comparação do senso comum ao prazer desmedido, ao exagero, o gozo imoderado dos prazeres mundanos, irrefletidos, sem nenhuma razão de ser. Utilizando-se do termo hedonismo, atribuindo a filosofia de Epicuro elementos que não condizem com a realidade da época.

Na Carta Sobre a Felicidade, Epicuro ressalta a importância do jovem envelhecer sem ter medo das coisas estão por vir, e que para isso é necessário que ele “cuide das coisas que trazem à felicidade, já que esta estando presente tudo temos, e, sem ela, tudo fazemos para alcançá-la”. (Carta sobre a Felicidade, p. 23) Outro ponto interessante na Carta sobre a Felicidade é a preocupação de Epicuro com o respeito à divindade e a respeitar tudo o que for capaz de conservar a felicidade e a imortalidade.

A ética epicuréia considera que o bem é o prazer(aponía) e a falta de perturbação na alma (ataraxía). Epicuro “compreendera perfeitamente que mais do que os gozos ou os sofrimentos do corpo, que são circunscritos no tempo, contam ressonâncias interiores e os movimentos da psique, que os acompanham e duram bem mais”. (REALE, ANTISERI, 1990, p. 245-247).

A busca pelo prazer na visão de Epicuro não é por qualquer prazer, na verdade o próprio filósofo explica que há prazeres que podem transformar-se em dor, e todos os prazeres e sofrimentos devem ser avaliados de acordo com o critério dos seus benefícios e danos. Diferentemente das imagens abordadas, podemos perceber, o quanto difere a visão de Epicuro dessa visão desmedida de prazer a qualquer custo, de consumismo exacerbado, de possuir, de padrões pré estabelecidos de beleza.

A visão hedonista distorcida leva a algumas pessoas a conceberem o conceito epicurista de forma completamente errônea e até risível, caricatural. O sábio deve se importar com a medida de todas as suas ações, os membros, ou discípulos do “Jardim de Epicuro” de acordo com inúmeros testemunhos históricos fidedignos, levavam uma vida quase ascética, consumiam verduras e hortaliças que eles mesmos plantavam e cultivavam, acrescidas de pão, água ou queijo, apenas em ocasiões especiais.

REFERÊNCIAS

EPICURO. Carta a Meneceu. (Álvaro Lorencini, Enzo Del Carratore). São Paulo: UNESP, 1997.
REALE, Giovanni, ANTISERI, Dario. História da Filosofia: Antigüidade e Idade Média, São Paulo: Ed. Paulus, 1990.


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