Sebastiana Inácio Lima
e-mail: dianadavi123@gmail.com
1. Breve Leitura do Livro Manual do Professor Eficaz e Algumas Notas de Aulas
A primeira parte dessa palestra é sobre (Manual do Professor Eficaz de Donald L. Grigs, traduzido por Sandra Salum Marra), não iremos falar sobre todo o livro, apenas sobre os três primeiros capítulos e o último capítulo que é o 13º. Antes de dar início é importante deixar claro que estamos apresentando partes de uma obra, de cunho manualístico e, não queremos aqui tomá-la na sua inteireza como as regras máximas da educação cristã.
Esse livro foi um dos que compunha as referências secundárias da ementa de Educação Cristã, disciplina que estou concluindo no STCNE.
Donald Grigs inicia o primeiro capítulo falando acerca do ensino como o principal ministério da igreja, deve ser considerado uma prioridade máxima se quisermos viver em conformidade com a Palavra do Senhor, para isso cita: Mateus 28,19-20ª. “Ide... fazei discípulos de todas as nações, batizando-as em nome do Pai, e do filho, e do Espírito Santo; ensinando-os a guardar todas as coisas que vos tenho ordenado”.
O livro traz a proposta de capacitar os professores da igreja a se tornarem mais hábeis na arte de ensinar, visto que nem todo ensino e aprendizado na igreja se da de forma estruturada, na maior parte as pessoas aprendem sobre a Bíblia e a fé cristã de forma:
1. Informal
2. Não organizada
3. Involuntária
Grigs usa o texto de Deuteronômio 6.4-9:
Ouve, Israel, o Senhor nosso Deus é o único Senhor. Amarás, pois, o Senhor teu Deus de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todas as tuas forças. E estas palavras, que hoje te ordeno, estarão no teu coração; E as ensinarás a teus filhos e delas falarás assentado em tua casa, e andando pelo caminho, e deitando-te e levantando-te. Também as atarás por sinal na tua mão, e te serão por frontais entre os teus olhos. E as escreverás nos umbrais de tua casa, e nas tuas portas.
As palavras de Moisés em Deuteronômio trazem várias ideias sobre ensinar, uma ideia primordial é o amor de Deus e a expressão do nosso amor a Ele com todo o nosso ser.
I. Não tem como ensinar sem ter aprendido
II. Sem viver o que se aprendeu
III. O aprendizado é contínuo
IV. Ensinar as crianças é uma prioridade.
Podemos encontrar nesses versículos uma teoria da educação cristã (um bom começo para teoria da educação).
Objetivos do ensino: Comunicar à geração vindoura, os gloriosos feitos do Senhor. Para quê?
I. Ser capaz de falar a seus filhos sobre os gloriosos feitos do Senhor.
II. Coloque sua esperança em Deus.
III. Não se esqueça das obras de Deus.
IV. Seja capaz de guardar os mandamentos.
V. Não sejam como seus antecessores.
No segundo capítulo trata sobre o ensino da igreja no século 21, traz um quadro em que aborda os contrastes entre os professores do que ele chama: aquela época – agora. (GRIGS, 2015, p. 20).
A necessidade de mudar de atitude: Passar da perspectiva de cumprindo meu dever, para “este é o meu ministério”.
Faz uma crítica a forma de recrutamento de pessoas para a educação cristã nas igrejas: “Falta tempo, não se sentem qualificados, já trabalharam e agora é a vez da outra pessoa e assim por diante. Pouquíssimos líderes sentem-se satisfeitos com a tarefa de recrutar a equipe para trabalhar com o programa de educação de suas igrejas.” (GRIGS, 2015, p. 21)
Grigs ainda sugere:
1. Em vez de recrutar professores, chamá-los, com base em seus dons, vocação é diferente de recrutamento).
2. Dar ênfase ao que se espera dos professores em vez simplificar as expectativas.
3. Convidar professores e líderes para trabalhar com outros companheiros.
4. Dar ênfase aos relacionamentos cristãos reconhecendo a sua importância.
5. Tornar o ensino menos complicado.
6. Afirmar, encorajar e apoiar os professores.
7. Considerar novos modelos para a prática da educação cristã.
8. Preparar professores para se adequar à realidade que os novos desafios exigem.
A partir do capítulo 3 (As funções do professor), Donald Grigs discorre acerca das várias atribuições do professor, chama a atenção para o professor como amigo ( acolher, incentivar), como mensageiro da palavra de Deus, como mensageiro da Palavra de Deus, como tradutor (facilita a comunicação entre as pessoas, Planejador de aulas – elaborador de currículo (deve ter a preocupação de adaptar, ajustar à realidade) . Só o professor da classe específica pode saber se as atividades sugeridas nos currículos prontos são apropriadas. (A igreja precisa de alguém que possa pensar como elaborador de currículo). Como aprendiz – “Creio que o melhor programa de educação para adultos que uma igreja pode ter é uma equipe de professores motivados e comprometidos, que continuam a aprender” GRIGS, 2015, p. 35).
O capítulo 4 fala sobre as 10 perguntas que os professores devem fazer e responder:
1. Como vou e preparar para ensinar?
1.1. Tempo, oração, estudo, preparação emocional, intelectual e espiritual, as verdades que vai comunicar aos alunos.
2. Quem são as pessoas para quem eu ensino?
3. O que vou ensinar e o que vão aprender?
3.1. Currículo
3.2. Diferença entre os aprendizes.
4. Que atividades e recursos vou planejar para a aula?
4.1. Cuidado com as atividades apenas divertidas e atraentes.
4.2. As atividades não são apenas para ocupar o tempo.
5. Estratégias de envolvimento. 6. Ambiente da sala de aula ( o ambiente da sala também ensina, estimula – ou desestimula, dependendo de como é apresentada pode desestimular – A sala de aula precisa ter móveis e decoração adequados ao ambiente de estudo). 7. Perguntas: 3 tipos: informação, análise e opinião. 8. Como reagir as ações e as falas dos alunos? 9. Que escolhas os alunos serão convidados a fazer durante a aula? 10. Como orientar a participação do aluno?
A partir de agora iremos falar acerca das estratégias para a preparação de professores, daremos um salto para o capítulo 13.
A educação do professor é importante, embora alguns professores com um currículo premiado sejam medíocres e outros que tem um currículo inferior, sejam eficazes e criativos. Segundo Grigs: “Cheguei a conclusão de que a diferença decisiva não era o currículo, mas o professor. Essa conclusão levou-me a investir mais energia no auxilio, no encorajamento e na preparação de professores para que se tornem mais capacitados e criativos em seu trabalho” (GRIGS, 2015, p.143).
Ainda sobre os professores e a motivação, Grigs afirma:
Nem todas as pessoas nascem professores [...], mas todas as pessoas que são motivadas e comprometidas a ensinar podem recebem ajuda para se tornarem professores mais eficazes e criativos. O Êxito de qualquer equipe de ensino ou programa educacional numa igreja será diretamente proporcional à qualidade do treinamento e do apoio aos professores. (GRIGS, 2015, p. 144).
Podemos tirar algumas lições desse trecho, às vezes a igreja ao invés de estimular o crescimento e a criatividade do professor da educação cristã, ela engessa, poda, inibe. O mestre, ou aquele que lidera os professores voluntários não precisa torná-los iguais a ele, mas respeitar as características deles, aprimorar os pontos potenciais e ajudar a superar as deficiências, e isso vai além de dogmas e doutrinas. A igreja pode capacitar pedagogicamente seus professores voluntários e mesmo assim, o pastor não perderá a hierarquia nem terá prejuízo doutrinário.
Apoio aos professores
Palestras, workshops, confraternizações, eventos especiais e voltados à formação de professores. É importante a comunicação, a gratidão, reconhecimento, respeito ao trabalho dos professores, se houver uma boa formação, haverá confiança da igreja e do pastor sobre o conteúdo ensinado.
Professores que lecionam sob pressão são impedidos de crescer no seu ministério e o seu ensino não inspira confiança nos alunos.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
No que tange a essa breve leitura do Manual do Professor Eficaz, podemos concluir que tem muitas lições a serem consideradas, não que devamos acatar todo o seu conteúdo as nossas práticas, temos o direito de discordar de algumas, contudo, Grigs nesse livro nos ajuda a repensar muito acerca do processo de planejamento, plano de aula, como utilizar técnicas e recursos pedagógicos, importância dos planos de treinamento, além disso, ao final de cada pequeno artigo, traz um exercício e atividade de como praticar o conteúdo trabalhado. Na verdade, é manual extremamente didático e com muitas ideias praticáveis do ponto de vista organizacional da Educação Cristã no universo da igreja.
2. NOTAS DE AULA – EDUCAÇÃO CRISTÃ
Educação cristã – quando falamos acerca da educação cristã, vem várias ideias na nossa cabeça, e algumas delas, são tendenciosas ao pensamento secular de educação. O problema de pensar a educação cristã de forma secular é que esquecemos o verdadeiro crescimento espiritual a passamos a pensar em responder somente as necessidades intelectuais das pessoas. Entre os desafios da Educação Cristã vejamos:
Responder às necessidades das pessoas é às vezes percebido como mais importante do que responder à real necessidade de se reconciliar com Deus. Ajudar as pessoas a sentirem-se bem, tomou o lugar de ajudar as pessoas a serem boas e fazerem o bem. Esse é um preço que eu não estou disposto a pagar. DOWNS, (2001, p.7)
No Livro Ensino e Crescimento: Introdução à educação cristã, Perry G. Downs faz um apanhado de forma diagnóstica acerca da educação cristã, como a igreja e alguns professores tratam o ensino como um gasto e não um investimento, alguns líderes também entram nessa lista. A irrelevância que alguns professores tratam os materiais curriculares é um dos fatores que fazem da educação cristã uma disciplina sem importância em algumas concepções contemporâneas. Segundo ele, não falta quem proclame a Escola Dominical como ultrapassada e desnecessária para os dias atuais, porém, Downs, reitera que a educação cristã tem a sua importância e deve ser preservada.
É possível perceber que Downs, não descarta a importância das ciências sociais, filosofia, pedagogia, etc, o mesmo atesta que essas disciplinas aliadas a verdadeira teologia são úteis para a formação do educador cristão, o que não podemos é colocá-las como superiores às verdades bíblicas de maneira a transformar a educação cristã em uma militância humanista. Para Downs: [...] deve haver uma abordagem séria para a educação cristã que respeite tanto as Ciências Sociais quanto a Teologia, conduzindo a uma filosofia unificada de Educação Cristã que capacite a igreja a ensinar para uma maturidade espiritual”. DOWNS, (2001, p. 13)
“A educação cristã é o ministério de levar o crente à maturidade em Jesus Cristo.” (DOWNS, 2001, p. 17). Essa definição sugere três conceitos: ministério, crentes e propósito. “A educação cristã é um ministério, meio de servir a outros. Seu foco é servir ao corpo de Cristo através do ensino. Há obstáculos, os métodos não podem ser manipulativos ou autoritários.” DOWNS, 2001, p. 17.
1. No que alude à ministério:
• O coração do educador cristão deve ser motivado pelo amor.
• Ainda que ninguém tenha uma motivação totalmente pura.
• Desejo ardente de ver as pessoas crescendo na fé.
• Ministério não egoísta.
2. Quanto aos crentes:
3. O ensino apresentado como um dom de amor aos outros.
4. A educação cristã deve ser orientada em direção aos crentes.
5. Em sua forma pura ela começa onde a evangelização termina.
6. Aqui observarmos que Downs, afirma a importância de se pensar a Educação Cristã para os crentes serem edificados na fé. DOWNS, 2001, p. 18
Segundo DOWNS, 2001, p. 18 “os descrentes não se ajuntam em nossas igrejas para ouvir o Evangelho. [...] Portanto, o foco da Educação Cristã é educar cristãos. Esse deve ser o nosso alvo primário e nossa preocupação”.
3. Propósito:
“O propósito do ministério educacional é levar crentes à maturidade espiritual”. DOWNS, 2001, p. 18
Existem várias definições de maturidade espiritual, algumas delas, Downs nos mostra que são muito superficiais. De acordo com ele há quem diga que maturidade espiritual é:
Conhecer a Bíblia, habilidade de louvar e adorar, piedade, ação Social, estar envolvido com o pobre e oprimido, aliviando seus problemas, ganhar almas, etc.
Há uma grande discordância entre os crentes acerca do que significa ser maduro espiritualmente, e ainda é mais sério a negligência dos educadores cristãos em considerar uma definição cuidadosa sobre o que de fato significa maturidade espiritual.
Perry Downs discorre acerca da importância da proclamação do Evangelho. Um entendimento correto no que tange à fé tem consequências consideráveis sobre o modo como o Evangelho é anunciado. Também fala sobre algumas pessoas que ás vezes estão nas igrejas, conhecem o conteúdo da crença cristã mas, não conhecem a Cristo verdadeiramente.
Uma educação cristã de fato, deve ser submissa a palavra de Deus, deve ser fiel à Bíblia, proclamando a sua mensagem com inteireza, não apenas uma teologia popular, disfarçada de educação cristã que não transforma vidas, apenas mantém as pessoas como membros de uma instituição.
REFERÊNCIAS
DOWNS, Perry G. Ensino e Crescimento: Introdução à Educação Cristã. São Paulo: Editora Cultura Cristã, 2001. (Leitura obrigatória).
GRIGGS, D. Manual do professor eficaz. Traduzido por Sandra Salum Marra. São Paulo: Cultura Cristã, 2015.
PAZMIÑO, Robert W. Temas Fundamentais da Educação Cristã. Trad. Elizabeth Stowell Charles Gomes. São Paulo: Editora Cultura Cristã, 2008.
ZABATIERO, Julio. Novos Caminhos para a Educação Cristã. São Paulo: Hagnos, 2009.
0 Comentários