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PALAVRAS SEM AÇÕES: Um hábito perigoso.

Por Sebastiana Inácio Lima (Diana)

Mas, que vos parece? Um homem tinha dois filhos, e, dirigindo-se ao primeiro, disse: Filho, vai trabalhar hoje na minha vinha. Ele, porém, respondendo, disse: Não quero. Mas depois, arrependendo-se, foi. E, dirigindo-se ao segundo, falou-lhe de igual modo; e, respondendo ele, disse: Eu vou, senhor; e não foi. Qual dos dois fez a vontade do pai? Disseram-lhe eles: O primeiro. Disse-lhes Jesus: Em verdade vos digo que os publicanos e as meretrizes entram adiante de vós no reino de Deus. Porque João veio a vós no caminho da justiça, e não o crestes, mas os publicanos e as meretrizes o creram; vós, porém, vendo isto, nem depois vos arrependestes para o crer. Mateus 21:28-32


INTRODUÇÃO

Poderíamos colocar mais de um título a essa mensagem, a saber: O melhor dos filhos maus ou a importância das palavras e ações, etc. Essa parábola mostra os líderes judeus como àqueles que haviam dito que obedeceriam a Deus e então não o fizeram. Os publicanos e as prostitutas são os que haviam dito que seguiriam seu próprio caminho e logo tomaram o caminho de Deus. Uma das chaves para se compreender em forma correta esta parábola, é que não elogia a ninguém. Apresenta-nos a imagem de dois grupos humanos muito imperfeitos, nenhum dos quais era melhor que o outro. Nenhum dos dois filhos da parábola era o tipo de filho que alegraria a vida de seu pai. Ambos eram seres muito imperfeitos, mas o que no final obedeceu era mil vezes melhor que o outro. O filho ideal seria aquele que aceita as ordens de seu pai com obediência e respeito e as obedece ao pé da letra, sem questioná-las. Mas nesta parábola há verdades que vão muito além do que uma primeira leitura possa nos apresentar.

A importância de assumir compromissos é um assunto que pode ser percebido nesse texto. Há duas classes de pessoas muito comuns neste mundo: os que se comprometem e não fazem os que não querem fazer ou se negam a fazer. Primeiro temos aqueles que as suas palavras são afirmativas, piedosas, prometem fidelidade, entretanto, as suas ações ficam longe das suas palavras. Em segundo lugar estão aqueles cujas ações são muito superiores à suas palavras. Afirmam serem duros, severos e materialistas radicais, mas de algum modo são vistos fazer coisas amáveis e generosas, quase em segredo, como se sentissem vergonha. Afirmam não sentir nenhum interesse pela Igreja e a religião e, entretanto, quando eles são vistos de perto, têm visão mais cristãs que muitos cristãos militantes.

E quando dizer não é fazer? Há um livro de um alemão que é filósofo da linguagem chamado Jonh Austin que é intitulado: Quando dizer é fazer: Palavras e ação. Ele fala sobre a importância dos atos de fala. Entre os tais existem três palavras que são proferidas com muita frequência: Aceito, aposto e prometo. E cita exemplo de uma fala de uma das tragédias de Eurípedes , Hipólito acerca da promessa que se faz no dia do matrimônio: "minha língua jurou, mas meu coração (ou mente, ou um outro ator nos bastidores) não o faz" . Assim, "Prometo..." me constrange - registra meu vínculo a "grilhões espirituais".

É gratificante observar, no mesmo exemplo, como o excesso de profundidade, ou melhor, de solenidade, abre o caminho da imoralidade, pois aquele que diz "prometer não é apenas uma questão de proferir palavras! É um ato interior e espiritual!", tenderá a parecer um sólido moralista frente a uma geração de teóricos superficiais. Vemo-lo como ele se vê, examinando as profundezas invisíveis do espaço ético, com toda a distinção de um especialista do sui generis . No entanto, ele propicia a Hipólito uma saída, ao bí¬gamo uma desculpa para seu "Aceito" e ao vigarista uma defesa para seu "Aposto". A exatidão e a moralidade estão ambas, do lado da simples afirmativa de que nossa palavra é nosso penhor. (AUSTIN, p. 14)

De acordo com Barclay: Em primeiro lugar, está a pessoa cujas palavras são muito melhores que suas ações. São capazes de prometer algo, de fazer retumbantes afirmações de piedade e fidelidade, mas sua ação fica muito abaixo de suas palavras.


1.TRAZENDO PARA NOSSA REALIDADE:


Precisamos ser filhos obedientes, sensatos, ser homens e mulheres de palavra e compromisso, a nossa palavra precisa ser o nosso penhor, não podemos ser tão parecidos e aculturados com o mundo em que as palavras não têm valor nenhum. Quando as nossas palavras perdem o valor de ação, é porque o nosso testemunho se esvaiu diante da sociedade, é porque ser um cristão não implica mais ser um homem e uma mulher de compromisso. É apenas um nome pelo qual a nossa consciência se conforta em saber que fomos salvos pela graça.

Não podemos nos conformar com isso, devemos atentar com piedade para a Palavra de Deus, como fomos cheios da sua dignidade, feitos filhos de Deus. Não é possível se conformar em ser um cristão nominal, membro de uma igreja, cumpridor de regras e estatutos burocráticos e com o coração bem distante do amor, da piedade, compaixão. Dizer e fazer; como precisamos sair da teoria para a prática!


2. QUEM É MAIS JUSTO?



Nenhum dos dois comportamentos é o ideal diante de Deus, a teoria e a prática têm que ser uma constante na vida dos que nasceram de novo, é necessário conhecer a palavra do Senhor e obedecer, submetendo-se a ela, porém essa parábola nos mostra que sem a graça soberana de Deus sobre a nossa vida nenhum dos filhos era justo, judeus e gentios.

Todos nós conhecemos pessoas que tem uma aparência de santidade, piedade, bondade, cortesia, mas na verdade são apenas palavras e máscaras. Assim como há os que afirmam querer distância das coisas pertinentes á religião cristã, mas as suas ações são muito mais dignas do que os que têm somente as palavras. Mas não estamos elevando essa categoria de pessoas que fazem o bem debaixo da graça comum, como as que dão prazer a Deus com a sua vida, não dá pra ser uma boa pessoa fazedora do bem sem está ligada à Cristo pela salvação eterna e fazendo a sua vontade. A parábola nos mostra que mesmo sendo preferível a segunda classe de pessoas, nenhuma das duas se aproxima nem remotamente da perfeição. O homem bom, em todo o sentido da palavra, é aquele cujas palavras e cuja ação está de acordo. Vejamos: Hipócritas! Bem profetizou Isaías acerca de vocês, dizendo: "Este povo me honra com os lábios, mas o seu coração está longe de mim. Em vão me adoram; seus ensinamentos não passam de regras ensinadas por homens'". Mateus 15:7-9.

3. PROMESSAS NÃO SUBSTITUEM AÇÕES

Mais ainda, esta parábola nos ensina que as promessas jamais podem ocupar o lugar da ação e que as palavras altissonantes/magníficas, nunca servem de substituto das ações corretas. O filho que disse que iria e não foi, tinha toda a aparência externa da cortesia. Em sua resposta se dirigiu a seu pai com o título de "Senhor", com o maior respeito. Mas a cortesia que nunca vai além das palavras não deixa de ser uma ilusão. A verdadeira cortesia é a obediência, expressa com gentileza e boa vontade. Por outro lado, a parábola nos assinala que qualquer um pode arruinar com muita facilidade algo bom pela maneira como o faz. Pode fazer uma coisa correta com uma falta de bondade e amabilidade que arruína toda a ação.
Aqui aprendemos que o caminho que o cristão deve seguir é a ação e não a promessa e que o que destaca o cristão é a obediência que se entrega com amabilidade e cortesia.



4. FALSAS PROMESSAS NOS TRAZEM PREJUÍZOS ESPIRITUAIS


Raça de víboras, como podem vocês, que são maus, dizer coisas boas? Pois a boca fala do que está cheio o coração. O homem bom, do seu bom tesouro, tira coisas boas, e o homem mau, do seu mau tesouro, tira coisas más. Mas eu lhes digo que, no dia do juízo, os homens haverão de dar conta de toda palavra inútil que tiverem falado. Pois por suas palavras você será absolvido, e por suas palavras será condenado". Mateus 12:34-37

Nossas palavras não podem ser apenas verbalizações vazias sem preocupação com as consequências que podem causar, e não causam somente preocupações entre as relações sociais, também causam danos espirituais, diante de Deus prestaremos conta de todas as bobagens proferidas na nossa caminhada terrena, das palavras torpes que saem da nossa boca.

Como temos nos expressado? Será que estamos somente proferindo as palavras e esquecendo as suas implicações? Temos nos afetado com o resultado dos danos que as nossas palavras podem causar? Ou estamos nos calando totalmente por medo de assumir compromissos na obra de Deus, afinal é mais fácil ser expectador porque sou dispensado de viver uma vida sob cobranças de piedade e compromisso.


5. QUEM SOU EU DE VERDADE?


Que tipo de filho eu sou? O que promete, considera como senhor, fala bonito e em palavras belas promete obediência, esforço, etc... Ou aquele filho que está desligado de tudo, alheio ao pai, negando-se a obedecê-lo, e que depois de destratá-lo eu me arrependo e vou? Seja qual for o tipo, precisamos atentar para a necessidade de amar a Cristo e a sua causa.

Também posso ser o tipo de filho que fica de lado olhando o trabalho dos meus irmãos e encontrando manchas, defeitos, fazendo críticas.

Posso ser aquele filho que terceiriza o trabalho do pai, paga para alguém fazê-lo para não se aborrecer.
Ou aquele que já se cansou de tal forma que não consegue mais nem se arrepender de ter desobedecido ao pai, que está distante, não se importa mais se o trabalho será feito ou não.

Que possamos nos arrepender das vezes que fomos filhos apenas de palavras e as nossas ações foram totalmente reprováveis, clamar ao nosso trino Deus que nos ajude a obedecê-lo com presteza logo na primeira instância, para não ficarmos sendo insensatos de fazermos promessas mentirosas, somente no intuito de agradar aos ouvidos dos que estão ao nosso redor, não somos somente a aparência do religioso, devemos ser a verdadeiros cristãos, que exaltam a Cristo em piedade e amor.


REFERÊNCIAS

AUSTIN, John Langshaw. Quando Dizer é Fazer. Trad. de Danilo Marcondes de Souza Filho. Porto Alegre: Artes Médicas: 1990. 136p.
BARCLAY, William. Philippians. Tradução de Carlos Biagini. Disponível em:
<>. Acessado em 10 de janeiro de 2018, 17h.

BIBÍA. Disponível em: . Acessado em 10 de janeiro de 2018, 14h.

EURÍPEDES. Alceste, Electra, Hipólito. Tradução de Pietro Nasseti. São Paulo. Martin Claret, 2004. 2. Ed.

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