Colossenses 1:6-14
Existem muitos
tipos de orações, rezas e petições nas mais diversas crenças, desde os
primórdios da humanidade, em todas as culturas. Orações às vezes infantis,
outras bem tolas mesmo, assim como existem religiões que possuem livros sagrados
que narram as suas regras de crença e rituais, porém, não encontramos um
evangelho que anuncie um Deus que deu seu filho pela salvação de muitos. Vemos
nas religiões humanas, os próprios homens tentando se purificar ou se redimir
através das próprias motivações.Um exemplo a ser ilustrado é
o da Antiga Grécia onde existiam deuses e deusas para todas as circunstâncias,
para cada necessidade humana existia uma divindade. Hermes era o mensageiro,
Ártemis a deusa da caça, Afrodite o amor, Poseidon
deus dos mares, Deméter, Apolo e Zeus eram os maiorais, sendo Zeus o maior
deles, Dionísio deus do vinho e da alegria desmedida, Hebe a deusa da juventude,
Pã o deus da música, da flauta, entre tantos outros... Os deuses gregos, assim
como os romanos são divindades onde cada entidade divina
representava as forças da natureza ou os sentimentos humanos.
Apesar de serem
considerados pelos homens como imortais, estes deuses possuíam características
e atitudes humanas e, por esse motivo, precisavam ser apaziguados. As pessoas
precisavam apresentar sacrifícios para apaziguar a ira deles de acordo com o
capricho do deus ou a desobediência a algum fundamento dessa tradição.
Mas, diante de todos esses deuses das
religiões humanas, das orações e as petições mais fervorosas dirigidas a eles,
nenhuma delas chega perto da excelência da oração do apóstolo Paulo dirigida a
Deus em nome de Jesus e do reconhecimento à essência do evangelho e o seu
resultado na vida daqueles que foram alcançados pela graça.
A epístola aos Colossenses é emblemática, o apóstolo Paulo
mesmo sem ter sido o fundador dessa igreja manifesta previdente zelo para que a
mesma possa manter a graça e o serviço cristão, alicerçado nas verdades do
evangelho que receberam do seu pastor Epafras com fidelidade e pureza, assim
como de outros homens de Deus que ali trabalharam. Não é uma carta motivada por
razões de reprovação ou censura aqueles irmãos, mas uma carta de um pastor
amoroso que zela pela pureza do evangelho, pela santidade e piedade das
ovelhas, de modo a mostrar esse amor em palavras e ações. Não a uma
instituição, mas a pessoas: homens, mulheres e crianças que formavam o povo de
Deus naquela cidade.
Fazendo uma recapitulação da exposição dos 5 primeiros
versículos. O apóstolo Paulo se apresenta e apresenta a Timóteo, saúda os
santos daquela cidade, demonstra gratidão a Deus pela fé deles e o amor,
reconhece o trabalho e o ministério do líder deles e reforça a espiritualidade
deles, o zelo, o amor, rememora a importância de uma vida reta, pede em oração
que sejam cheios do conhecimento de Cristo, em toda a sabedoria e inteligência
espiritual; que possam andar dignamente diante do Senhor, agradando-lhe em
tudo, frutificando em toda a boa obra, e crescendo no conhecimento de Deus;
Corroborados em toda a fortaleza, segundo a força da sua glória, em toda a
paciência, e longanimidade com gozo; sendo
gratos ao Pai que nos fez idôneos para participar da herança dos santos na luz
e nos tirou da potestade das trevas, e nos transportou para o reino do Filho do
seu amor.
Vamos
compreender esses 9 versículos através de três pontos principais: 1. A essência
do Evangelho, 2. Uma oração que reconhece a grandeza de Deus. 3. Uma Petição especial.
6.
Que já chegou a vós, como também está em todo o mundo; e já vai frutificando,
como também entre vós, desde o dia em que ouvistes e conhecestes a graça de
Deus em verdade;
O evangelho chegou até o povo de
Colossos, havia dado frutos e encontrado o coração dos santos desde do dia em
que ouviram, e essa proclamação era graciosa e verdadeira. A fé depositada em
Cristo não dependia da quantidade de pessoas que já criam e estavam
influenciando as outras, mas porque Cristo era o fundamento dela e isso é consolador
para Paulo assim como é para o povo colossense. A confirmação da fé é
importante pois ela também traz consolo ao povo de Deus.
A graça de Deus
foi ouvida e conhecida, João Calvino afirma no seu comentário aos Colossenses
que “ninguém jamais
provou do evangelho senão aquele que reconhece estar reconciliado com Deus e
visualiza a salvação que é proclamada em Cristo”. Olhemos para o nosso estado
anterior, para as inúmeras vezes que a nossa vida era vazia de sentido e não
sabíamos nada sobre a graça de Deus, agora olhe para o seu presente,
sinceramente: você consegue perceber em sua vida o resultado da graça de Deus?
Consegue perceber a paz que há em saber que foi reconciliado com Deus através
de Cristo? Ou será que sente saudades do seu estado anterior, com certeza
nenhum crente genuíno tem saudades da época da ignorância espiritual, do tempo
em que andava nas trevas e sem rumo.
7-8: Como aprendestes de Epafras, nosso
amado conservo, que para vós é um fiel ministro de Cristo, o qual nos declarou
também o vosso amor no Espírito.
Epafras é o pastor ao qual o apóstolo
Paulo dá testemunho de uma conduta autenticamente cristã, idônea,
diferentemente de muitos da mesma época que estavam preocupados em disseminar
falsos ensinos e filosofias contrárias aos ensinamentos do evangelho. Pois enquanto todos se gabam de
proclamar o evangelho e, contudo, ao mesmo tempo, existem muitos maus
obreiros [Fp 3.2], por cuja ignorância, ou ambição, ou avareza, sua pureza
é adulterada, é de grande importância que os ministros fiéis sejam distinguidos
dos menos íntegros. Quando Paulo confirma a doutrina de Epafras ele reforça que
o povo aceite aquele pastor, o seu ensino e assim fortalece a adesão de muitos
que poderiam ser vítimas do engano dos falsos mestres.
É importante
destacar que, sempre que o apóstolo Paulo encontra um ministro de Cristo idôneo
e comprometido com o evangelho, ele faz o máximo para torná-lo ainda mais querido
pela igreja. Isso mostra a diferença entre aqueles que sendo (ministros de
Satanás) tentam colocar o povo contra os seus pastores com calúnias e falsas
notícias, que existia no mundo antigo e ainda hoje perdura.
2.
Uma oração que reconhece a grandeza de Deus
9-11. Por esta razão, nós também, desde o dia em que o
ouvimos, não cessamos de orar por vós, e de pedir que sejais cheios do
conhecimento da sua vontade, em toda a sabedoria e inteligência espiritual.
Para que possais andar dignamente diante do Senhor, agradando-lhe em tudo,
frutificando em toda a boa obra, e crescendo no conhecimento de Deus;
Corroborados em toda a fortaleza, segundo a força da sua glória, em toda a
paciência, e longanimidade com gozo;
É emocionante poder
ouvir as orações de um santo por seus amigos; isto é justamente o que ouvimos
nesta passagem. Esta passagem nos ensina mais sobre a essência da oração de
petição que qualquer outra do Novo Testamento. Nessa oração encontramos duas
grandes petições: discernimento da vontade divina, e poder para cumprir esta
vontade.
(1) A oração começa pedindo ser repletos com um conhecimento
cada vez maior da vontade de Deus. O grande objeto da oração é conhecer a
vontade de Deus. Na oração não tentamos tanto que Deus nos escute como escutar
nós mesmos a Deus; não tentamos persuadir a Deus para que faça o que nós
queremos, mas sim de chegar a descobrir o que Ele quer que realizemos. Acontece
com freqüência que na oração realmente dizemos: "Mude-se a sua
vontade", quando deveríamos dizer: "Faça-se a sua vontade".
O
primeiro objeto da oração não é tanto falar a Deus, como ouvi-lo.
(2) Este conhecimento de Deus deve traduzir-se numa situação
concreta humana. Oramos por sabedoria e inteligência espirituais. A sabedoria
espiritual é o que podemos descrever como o conhecimento dos primeiros
princípios, portanto, Paulo ora para que seus amigos tenham sabedoria e
inteligência, que entendam as grandes verdades do cristianismo, que sejam
capazes de aplicar essas verdades às tarefas e decisões da vida de cada dia. É
muito fácil que alguém seja ótimo em teologia e um fracasso na vida. Pode ser
capaz de escrever e falar sobre as grandes verdades eternas e, entretanto, não
conseguir vivenciar aquilo que aprendeu. O cristão deve conhecer o que
significa o cristianismo, não em teoria, mas no trabalho da vida diária.
(3) Este conhecimento da vontade de Deus e esta sabedoria e
inteligência devem produzir uma conduta reta. Paulo ora para que seus amigos se
conduzam de tal maneira que agradem a Deus. Não há nada prático no mundo como a
oração. A oração não é um escape da realidade. Não é uma solitária meditação em
Deus ou comunhão com Ele. Oração e ação andam de mãos dadas. Oramos não para
escapar da vida, senão para nos fazer mais capazes de enfrentá-la. Oramos não
para nos apartar da vida, senão para viver o que Deus permitir que vivamos.
(4) Para realizar isto precisamos poder. Esse poder não é
para mandar nas pessoas, ser o mais importante da igreja, fazer milagres ou
coisas do tipo que vemos acontecer em alguns lugares. Paulo ora para que seus
amigos sejam fortalecidos com todo o poder de Deus. Como previamente orou para que
tivessem tanto sã compreensão quanto o uso correto dela, assim também agora ora
para que tenham coragem e constância, conscientizando-os de sua própria
fraqueza, pois diz que não serão fortes de outra maneira senão pelo auxílio do
Senhor; e não só isso, mas, com vistas a engrandecer este exercício da graça
ainda mais, ele adiciona: segundo seu glorioso poder.
“Até onde alguém é
capaz de ficar firme pela sua própria força, o poder de Deus se mostra
grandioso auxiliando em nossa debilidade.” Por fim, ele mostra em que a força
dos crentes deve exibir-se - em toda paciência e longanimidade. Porque,
enquanto estão no mundo, são constantemente exercitados com a cruz e são
bombardeados diariamente com milhares de tentações, a ponto de ficarem
obscurecidos do que Deus prometeu. Portanto, devem armar-se com uma admirável
paciência, a mesma que Isaías afirma concretizar-se “na esperança e no silêncio
estará vossa força” [Is 30.15].
3. Uma Petição especial
11.
Corroborados em toda a fortaleza, segundo a força da sua glória, em toda a
paciência, e longanimidade com gozo;
O
versículo 11 apresenta uma petição especial, o apóstolo Paulo não está pedindo
nada para ele mesmo, ele roga a Deus que seus amigos colossenses possuam toda paciência,
longanimidade e alegria\gozo. As duas palavras paciência e longanimidade são de muita importância. Existem diferenças conceituais entre elas. É possível que ao lermos essas
palavras possamos pensar que são sinônimas, porém quando aparecem juntas há uma
diferença essencial nos termos. Paciência,
não significa no sentido de sentar-se para suportar os acontecimentos ou de
inclinar simplesmente a cabeça para deixar que o tempo passe sem nenhuma ação
ou reação, não só significa capacidade para suportar as coisas, mas também
habilidade para suportando, fazer com que as coisas redundem em glória. É uma
paciência triunfadora, é o espírito que não pode ser vencido por nenhuma
circunstância da vida e ao que nenhum acontecimento pode prostrar. Já a longanimidade. Seu significado básico é o de
paciência com as pessoas. É a qualidade de mente e coração que faz com que o
homem seja capaz de suportar as pessoas de tal maneira que a antipatia, malícia
e crueldade destas não o arrastem à amargura; que sua indisciplina e insensatez
não o levem ao desespero; que sua tolice não o arraste à fúria nem sua
indiferença altere seu amor. Ora para que o cristão seja tal que nenhuma circunstância
possa dobrar sua fortaleza e nenhum ser humano vencer seu amor.
Ora pelo
espírito que jamais se desespera em face de uma situação ou perante uma pessoa;
que recusa se desesperar com respeito às coisas ou com respeito às pessoas. A
fortaleza do cristão nos acontecimentos e a paciência com o povo devem ser
indestrutíveis.E junto a isto vem à alegria. Tudo isto não é uma triste luta
com acontecimentos e pessoas; é uma atitude de contentamento e alegria na vida.
A alegria cristã é uma alegria em toda circunstância. Para melhor ilustrar essa
alegria vejamos “Regozijai-vos sempre no Senhor; outra vez digo,
regozijai-vos. Seja
a vossa equidade notória a todos os homens. Perto está o Senhor. Não estejais inquietos por coisa alguma; antes as
vossas petições sejam em tudo conhecidas diante de Deus pela oração e súplica, com
ação de graças”. Filipenses 4:4-6
Aplicação
Com o conhecimento desse texto
aprendemos acerca da essência do
Evangelho. A importância de uma oração que reconhece a grandeza de Deus e sobre uma Petição especial. São
coisas que fazem muita diferença na vida do cristão.
Precisamos
ter bem firmes em nossa mente e no nosso coração que o Evangelho de Cristo é a
verdade, a sua relevância é eterna e o seu resultado é abrir os olhos de
muitos, o evangelho é salvação para todo aquele que crê como o apóstolo Paulo
afirma em Rm 1.16, o evangelho é de Deus.
Também
vimos o quanto a oração é importante,
principalmente aquela oração que não busca o interesse próprio, mas, que seja
feita a vontade de Deus, a oração intercessória pelos nossos irmãos e amigos,
também por aqueles irmãos que nós não conhecemos porém sofrem nos mais diversos
países e situações.Precisamos ser longânimos, pacientes
e satisfeitos em Cristo para que possamos amar mais, aguardar a vontade de Deus
empenhados na sua obra e olhando para a sua graça maravilhosa, sem esperar pela
satisfação oriunda das coisas humanas apenas.
REFERÊNCIAS
BARCLAY, William. Colossians. Tradução de Carlos Biagini.
Disponível em: <>. Acessado
em 12 de agosto de 2019, 17h.


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