Colossenses 1.12-17
Conforme
Ali Abdune, líder muçulmano do Centro Islâmico de São Bernardo, em São Paulo, há
muitas semelhanças entre os livros sagrados dos judeus, dos cristãos e dos
muçulmanos. O anjo que ditou as palavras para Maomé é Gabriel, o mesmo que
avisou Maria da sua gravidez. Além disso, o Alcorão admite que Abraão, Moisés e
Jesus receberam, de fato, mensagens divinas. Só que Jesus, para o Islã, não é o
filho de Deus, mas um dos grandes profetas, assim como Moisés e o patriarca
Abraão, ambos da linhagem dos judeus – daí o Islã compor, junto com o
Cristianismo e o Judaísmo, o grupo das religiões abraâmicas. “Reconhecemos o
Antigo e o Novo Testamento como parte da mensagem divina”.
Nós cristãos cremos totalmente diferente, pois a Palavra de
Deus, tanto a antigo quanto o novo Testamento compreendem todo o conselho de
Deus para seu povo, a sua palavra é a verdade, cremos na Trindade Santa, e em
Jesus Cristo o nosso Salvador, a segunda pessoa da Trindade, por isso não
podemos deixar de crer que o Alcorão é a Palavra de Deus e nem que Maomé é um
profeta de Deus no mesmo pé de igualdade do Messias prometido de Deus. Para
isso, o texto de Colossenses 1.12-17 nos dá segurança para refutarmos essas
crenças. Nesse texto iremos compreender quem é Cristo, sua grandeza, a gratidão
que devemos ter pela graça que recebemos gratuitamente, a sua soberania, poder
e capacidade graciosa de perdoar os nossos pecados.
Vamos nortear a compreensão desse texto a partir da
proposição: Quem é Cristo?
12. Dando graças ao Pai que nos fez
idôneos para participar da herança dos santos na luz;
O apóstolo Paulo mais uma vez
retorna as ações de graças, para que o povo colossense não esquecesse de
enxergar e louvar a Deus por todas as bênçãos que receberam através de Cristo.
Enumerando a grandeza das bênçãos recebidas em Cristo pudessem ter uma noção
mais exata da sua pessoa. A preocupação era para que aquela igreja não fosse
enredada por nenhum ensino contrário á palavra de Deus, nenhuma filosofia
humana que contradissesse o as verdades acerca da essência, origem e caráter de
Cristo. Nesse versículo podemos compreender cabalmente que Cristo ao entregar a
sua vida em sacrifício por muitos, por meio dele é que fomos redimidos, e isso
é motivo suficiente excelente para sermos gratos, gratos ao pai que nos fez
idôneos (íntegros, aptos, adequados) para participar da herança dos santos na
luz.
É muito interessante esse versículo
12, pois nos leva a entender a desgraça da queda, a vergonha, o estado
miserável e indigno, fomos desintegrados da nossa posição de santidade em Adão,
tornados inaptos, inadequados e inimigos de Deus, porém ele nos fez idôneos
novamente, através do sacrifício de Cristo. Essa verdade é motivo de agradecer
a Deus em todos os momentos. Portanto, quem é Cristo? É aquele a quem o pai
enviou para que pelo seu sacrifício nos tornasse dignos da herança dos santos
na luz.
13. O qual nos tirou da potestade das
trevas, e nos transportou para o reino do Filho do seu amor; 14. Em quem temos
a redenção pelo seu sangue, a saber, a remissão dos pecados;
Aqui o apóstolo Paulo fala acerca do
resgate do homem do caminho das trevas, por causa da queda, e o caminho novo
que o Senhor nos concedeu pela sua maravilhosa graça. Não no sentido de
salvação universal, mas, do resgate de um povo eleito pelo conselho da sua
vontade, para a sua glória.
Sobre ter a redenção em Cristo e Nele
também ter o perdão dos pecados, poderíamos falar de diversas maneiras, fazer
as mais amplas aplicações, mas vamos iniciar demonstrando a concepção de
Barclay sobre os benefícios que os cristãos receberam em Cristo, através de algumas
citações de parte do seu comentário a Colossenses.
Deus concedeu aos Colossenses
participarem da herança dos santos, fazendo-os parte do povo de Deus:
Deus deu participação aos Colossenses
na herança dos santos em luz. O primeiro privilégio é que aos gentios foi
concedido que participassem da herança do povo escolhido de Deus. Os judeus
tinham sido sempre o povo escolhido de Deus, [...] mas agora as portas estão
abertas aos gentios e a todos os homens; não só os judeus, mas também todos os
homens e todas as nações têm entrada na herança do povo de Deus. BARCLAY,
(p.31).
Em segundo lugar Barclay aponta outra ideia chave sobre o
sentido de transladar:
Esta transferência realizada por Deus
não é só um traslado, mas também um resgate com quatro notas características.
(a)
É um traslado das trevas à luz.
(b)
Significa um traslado da escravidão à liberdade
(c)
Significa um traslado da condenação ao perdão.
(d)
Significa um translado do poder de Satanás ao poder de Deus.
O
Senhor nos resgatou, não foi um processo participativo, eu fui resgatado sem
que eu agisse, sem que eu fosse sujeito ativo, Deus, por meio de Cristo me
resgatou, não foi um pedido de socorro que Deus atendeu da minha parte. Há um
sujeito agente, Deus, um paciente (eu), portanto tira totalmente a vaidade de
quem pensa que é autor desse processo por meio da atividade evangelística seja
qual for. Não é a nossa militância eclesiástica que efetua esse processo de
resgate, nem as nossas aptidões e esforço pessoal, ou mesmo o nosso amor pela obra
de Deus.
Em meio
às trevas, sob o peso maldito do pecado, a morte, não havia nenhum movimento em
direção a Deus, da minha parte, nada do que eu fizesse poderia indicar o
caminho à divindade de Deus. Não conseguia pedir socorro, pois os meus pecados
me separavam de Deus. Esse transporte,
ou translado, faz toda a diferença na vida do salvo em Cristo. Foi a
providência de Deus, maravilhosa, capaz de resgatar, de libertar do domínio das
trevas e transladar, de um lugar para outro. Só o sacrifício de Jesus poderia fazer isso por nós, nosso estado de
completa morte espiritual pelo pecado, jamais tomaríamos o rumo da salvação, se
Deus não tivesse nos resgatado, arrancado do domínio das trevas e nos
transportado para o reino do seu Filho Amado. Não é possível que alguém em
completo estado de depravação, morto em pecado possa ter a iniciativa para
algo, portanto, só o Senhor poderia intervir, e assim o fez, vejamos:
E é pelo sangue deste que temos a redenção, a remissão dos pecados,
segundo a riqueza da sua graça, que ele derramou profusamente sobre nós,
infundindo-nos toda a sabedoria e inteligência, dando-nos a conhecer o mistério
da sua vontade, conforme decisão prévia que lhe aprouve tomar para levar o
tempo à sua plenitude, a de em Cristo encabeçar todas as coisas, as que estão
nos céus e as que estão na terra. Nele, predestinados pelo propósito daquele
que tudo opera segundo o conselho da sua vontade, fomos feitos sua herança, [...].
Efésios 1.7-11
Fomos transportados para o reino do Seu Filho amado
quando o senhor nos resgata o reino de Deus nas nossas vidas começa, nessa
caminhada aqui na terra e é manifesto de maneira plena na consumação da sua
glória. Dentro de uma cosmovisão cristã, podemos entender que a obra de Deus é
dividida entre: criação, queda, redenção e consumação. A vida cristã é um
prelúdio do que teremos e viveremos na consumação de toda a sua obra redentora.
Na pessoa de
Cristo Jesus, Nele e somente Nele, por seu intermédio! Ele é a perfeição, a
porta, o perdão, o autor da salvação, o princípio e o fim, por Ele é o Cristo,
filho do Deus vivo. A redenção é somente por Ele. A salvação, ordenada pelo
Pai, administrada pelo Espírito é realizada pelo Filho, o primeiro agente da
salvação é o Deus Filho.
Esse translado significa que os nossos pecados
foram perdoados, aquilo que recebemos justamente, aquela pena cabível pelo qual
fomos distanciados da perfeição criada por Deus, a atitude mais hedionda diante
de um Deus santo, a pena capital, a morte, a qual toda a humanidade era
merecedora, foi aplicada sobre Cristo Jesus, ele levou sobre si as nossas
dores:
E no entanto, eram nossos sofrimentos que ele levava sobre
si, nossas dores que ele carregava. Mas nós o tínhamos como vítima do castigo,
ferido por Deus e humilhado. Mas ele foi trespassado pelas nossas
transgressões, esmagado por causa das nossas iniquidades. O castigo que havia
de trazer-nos a paz, caiu sobre ele, sim, por suas feridas fomos curados. Isaías 53:4,5.
15.
O qual é imagem do Deus invisível, o primogênito de toda a criação
16. Porque nele foram criadas todas as coisas que há nos céus e na terra, visíveis e invisíveis, sejam tronos, sejam dominações, sejam principados, sejam potestades. 17. Tudo foi criado por ele e para ele. 17. E ele é antes de todas as coisas, e todas as coisas subsistem por ele.
16. Porque nele foram criadas todas as coisas que há nos céus e na terra, visíveis e invisíveis, sejam tronos, sejam dominações, sejam principados, sejam potestades. 17. Tudo foi criado por ele e para ele. 17. E ele é antes de todas as coisas, e todas as coisas subsistem por ele.
Ele chegou ao ponto alto em seu
discurso sobre a glória de Cristo. Ele o chama “a imagem do Deus invisível”,
com isso significando que é tão somente nele que Deus, que de outro modo é
invisível, se nos manifesta, em concordância com o que lemos em João 1.18:
“Ninguém jamais viu a Deus. O Deus unigênito, que está no seio do Pai, esse o
deu a conhecer.”
Sem dúvida esses três versículos
coroam a descrição mais excelente acerca de Cristo nesse capítulo, nos deixa
maravilhados e extasiados diante dessa descrição de quem é Cristo, de fato
ela responde a nossa proposição inicial:
Quem é Cristo? Pois sabemos que ele é: a
imagem do Deus invisível, o primogênito de toda a criação; 16. Porque nele
foram criadas todas as coisas que há nos céus e na terra, visíveis e
invisíveis, sejam tronos, sejam dominações, sejam principados, sejam
potestades. 17. Tudo foi criado por ele e para ele. 17. E ele é antes de todas
as coisas, e todas as coisas subsistem por ele.
O apóstolo Paulo nos mostra nessa
parte do texto que o agente de Deus na criação é o Filho, para isso vejamos
quatro verdades que nos fazem compreender melhor quem é o Cristo:
(1) É
o primogênito de toda criação
– não no sentido do Filho ser parte da criação, a primeira pessoa criada, o
primeiro produto na criação divina. Primogênito pode ser entendido de duas
formas: Primogênito é muito usualmente um título de honra. Israel, por
exemplo, é, como nação, o filho primogênito de Deus (Êxodo 4:22). O significado
desta frase é que a nação de Israel é o filho eleito, o mais honrado e
favorecido de Deus. Em segundo lugar primogênito é título do Messias.
(2)
Por meio do Filho foram criadas todas as coisas - Isto é verdade das coisas que estão
nos céus e na Terra, visíveis e invisíveis. Os gnósticos possuíam um sistema
extremamente desenvolvido e elaborado de anjos. Segundo eles só se devem ter em
consideração a longa série de intermediários entre o homem e Deus. Para William
Barclay, “tronos, senhorios, potestades e autoridades eram diferentes graus de
anjos que tinham seus lugares nas diferentes esferas dos sete céus”. Paulo
desconstrói essas ideias, mostrando aos gnósticos: "Em seus pensamentos
dão um lugar importante aos anjos. Apreciam a Jesus Cristo só como um desses
anjos ou um desses poderes celestiais. Longe de ser um deles, Ele os criou.
Está tão acima deles como o Criador o está acima da criatura." Desta
maneira Paulo expressa que o agente de Deus na criação não é um Deus inferior,
ignorante e hostil mas, sim o próprio Filho.
(3)
Pelo Filho foram criadas todas as coisas (17). - O Filho não só é o agente da
criação; também é o propósito e o fim da mesma. Quer dizer, a criação foi criada
para ser dEle e para lhe render honra e glória. A criação foi criada pelo Filho
e foi para que finalmente fosse dEle, e para que com sua adoração e em seu amor
dê honra e alegria ao Filho. O mundo foi criado para que em última instância
pertença a Jesus Cristo.
(4) Paulo usa a frase: "Nele,
tudo subsiste." -
Isto significa que o Filho é no começo o agente da criação; no fim, a meta, e
entre o começo e o fim, durante o tempo tal como o conhecemos, o Filho é aquele
que dá consistência ao mundo. Quer dizer, todas as leis pelas quais todo mundo
é uma ordem e não um caos são a expressão da mente do Filho. A lei da gravidade
e as assim chamadas leis científicas não são só leis científicas, mas sim leis
divinas. São as leis que dão sentido ao universo.
Assim, pois,
o Filho é o princípio e o fim da criação, e o poder que lhe dá consistência. É
o Criador, o Sustentador e a Meta final do mundo.
João Calvino no seu comentário à
Colossenses diz o seguinte: Ele coloca os anjos em sujeição a Cristo, para que
não obscureçam sua glória, por quatro razões: em primeiro lugar, porque foram criados
por e/e; em segundo lugar, porque sua criação deve ser vista como tendo
relação com ele, como o fim legítimo deles; em terceiro lugar, porque ele mesmo
sempre existiu, antes da criação deles; em quarto lugar, porque ele os sustém
por seu poder e os mantém em sua condição. Ao mesmo tempo, ele não afirma isto
meramente em referência aos anjos, mas também em referência ao mundo inteiro. E
assim ele põe o Filho de Deus na mais elevada posição de honra, para que ele
tenha a preeminência sobre os anjos, bem como sobre os homens, e para
que mantenha sob controle todas as criaturas no céu e na terra.
Conclusão
É importante refletir o quanto
conhecemos a Cristo e quem é Ele. Acredito que nesses versículos que já
trabalhamos ao longo dessas três prédicas acerca da carta aos Colossenses, já
aprendemos aspectos importantes sobre a sua divindade, seu poder, soberania,
excelência, graciosidade e domínio sobre todas as coisas.
Que possamos nos refugiar nesse Deus
trino, (Pai, filho e Espírito Santo) esse ser soberano e eterno que governa
sobre nós e está a todo momento nos sustentando com a sua graça.
Que não haja um único dia em nossa
vida que esqueçamos de agradecer a Deus pelo seu Filho Jesus Cristo. Pois
sabemos quem é Ele porque foi Ele “que
nos tirou da potestade das trevas, e nos transportou para o reino do Filho do
seu amor; 14. Em quem temos a redenção pelo seu sangue, a saber, a remissão dos
pecados; 15. O qual é imagem do Deus invisível, o primogênito de toda a
criação; 16. Porque nele foram criadas todas as coisas que há nos céus e na
terra, visíveis e invisíveis, sejam tronos, sejam dominações, sejam
principados, sejam potestades. 17. Tudo foi criado por ele e para ele. 17. E
ele é antes de todas as coisas, e todas as coisas subsistem por ele.
Colossenses 1:12-17
A
Ele, Cristo, seja toda a honra e toda a glória!
REFERÊNCIAS
BARCLAY, William. Colossians. Tradução de Carlos Biagini. Disponível em: <>. Acessado em 12 de agosto de 2019, 17h.


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