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Live é Culto?

Diana Lima (Artigo de Opinião)

Romanos 12.1-2 - “Rogo-vos, pois, irmãos, pelas misericórdias de Deus, que apresenteis o vosso corpo por sacrifício vivo, santo e agradável a Deus, que é vosso culto racional. E não vos conformeis com este século, mas transformai-vos pela renovação da vossa mente, para que experimenteis qual seja a boa, agradável e perfeita vontade de Deus.”
Tanto no Antigo Testamento, quanto no Novo Testamento, culto é descrito de forma litúrgica e reflete um serviço oferecido a Deus, não é uma atividade que possa ser feita de qualquer forma, ao bel prazer de cada um, não pode ser personalizado, não é um self-service.
O culto oferecido a Deus tem uma prescrição e uma liturgia, deve ser feito conforme ele mesmo definiu, há uma grande diversidade de opiniões sobre como deve ser um culto prestado à Deus, mas, em todas as circunstâncias prefiro caminhar pelas orientações da própria Palavra de Deus.
Desde a queda a Bíblia mostra que o homem sempre procurou seguir os seus próprios desígnios e muitas vezes se recusou a prestar adoração a Deus da forma como ele é digno e como ele mesmo ordenou. No Êxodo, na monarquia, no exílio e na época pós-exílio, existem três princípios que são fundamentais para a base do culto: Encontramos três princípios nessas cinco épocas. Adoração (Gn 8.20; 35.11, 14; Êx 3.18; 5.1; 2Cr 7.3; Ne 8.6); Oração e confissão(Jó 1.5; Lv 16.15,16; 1Cr 16.39,40;2Cr 6.21-31; Ed 9.1-3) e Instrução (Gn 4.7; Dt 31.9-13; 2Cr 34.30; Ne 8.8).
O culto era centralizado em Deus, os sacrifícios realizados apontavam para Cristo, o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo, e a instrução da Palavra de Deus revelada era algo que tinha fundamental importância.
No Novo Testamento também temos prescrições e orientações, “Não deixemos de reunir-nos como igreja, segundo o costume de alguns, mas procuremos encorajar-nos uns aos outros, ainda mais quando vocês veem que se aproxima o Dia”.
Hebreus 10:25 a comunhão e o fortalecimento da fé cristã através do ajuntamento para prestar culto ao Senhor é algo que fundamenta a importância de revermos os conceitos contemporâneos de culto.
É muito fraca a nossa geração de cristãos, se compararmos as situações que estamos vivendo hoje no mundo com as inúmeras misérias que os cristãos primitivos e medievais tiveram que passar, certamente nos vêm uma grande vergonha da nossa pequenez.
Somos um povo que canta louvores com letras como: eu louvarei ao Senhor na alegria ou na dor; falamos muito frases como: enfrento tudo por amor a Cristo, jamais deixarei de ir à igreja por nada, nunca abandonarei a causa de Cristo, se preciso for eu irei desobedecer as leis dos homens por amor à Cristo! Mas, no momento em que existe um risco contra a minha vida, mesmo que não haja proibição legal do Estado de abrir as igrejas, os cristãos se escondem por trás de uma tela e uma câmera e se conformam muito bem à situação. A proibição é contra a aglomeração. É possível fazer um revezamento de pessoas, tomar as precauções necessárias, manter a distância recomendada e não fechar as portas da igreja.
Talvez, depois que a pandemia passar as igrejas sofra com um déficit de membros, muitos irão ficar procurando as lives mais interessantes, até porque se permanecer um cristão virtual, ele poderá driblar as responsabilidades de cristão com a obra de Deus: dízimo, ofertas, serviço, obras sociais, etc. Sendo um fiel virtual, quando ele discordar do pregador só precisará mudar de live e passar para a próxima sem nem ser censurado.
Os cristãos virtuais estão muito felizes, se adequando muito bem as novas tecnologias que tem tomado espaço em tempos de crise, mas, há uma preocupação que deve servir de alerta, será mesmo que temos cultuado? Com emojis de mãozinhas postas, palminhas e coraçõezinhos, digitando glória a Deus? Isso tem satisfeito a nossa ânsia de comunhão?
Eu acredito que a igreja cristã está sendo impedida de cultuar, não porque há leões lá fora a nos atacar, contudo, os leões estão dentro dos cristãos, acovardando, amedrontando, abatendo o ânimo, enfraquecendo a fé. Cadê os grandes homens de Deus que estão nas trincheiras? Quem se sacrificaria por amor ao próximo? E por amor a Cristo?
Existe que defenda santa ceia pela live, batismo, etc. Em tempos de excessiva mudança e liquidez de tudo o que é sólido, como pensar sobre a liturgia de um culto genuinamente cristão, nos moldes bíblicos para não atentar contra a santidade de Deus?
O que dizer daqueles cristãos que se escondiam nas catacumbas para cultuar a Deus, os que se arriscavam em meio a cadáveres pelas ruas na época da peste negra, será que eles seriam encerrados em casa facilmente, sem mesmo existir obrigação do Estado para fechar as igrejas?

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3 Comentários

Pr Maxwell disse…
Isso mesmo, concordo, parabéns pelo artigo;

Pr Maxwell
Diana Lima disse…
Obrigada pastor Maxwell pelas palavras.
Danilo disse…
Impossível não compartilha, parabéns Diana