O homem de hoje busca viver para
si, embebidos nos prazeres e necessidades de bens materiais. Enquanto isso, a
questão religião/espiritualidade é cada vez mais um elemento que o ajude na
busca de tais prazeres. Há hoje um mercado religioso na busca transcendência de
um Deus doador. Em tais igrejas este movimento ficou conhecido como a teologia
da prosperidade. Nesses grupos religiosos seus líderes são ‘promotores da fé’
através da alimentação da esperança condicionada a um pensamento positivo e de
necessidades pessoais. Esse tipo de religião dos últimos tempos tem de fato um
caminhar de mãos dadas com os bens materiais. Elas estão apresentando um
cristianismo em que podemos receber todo tipo de bem-estar espiritual e
principalmente o material. Em outras palavras, é exercer a fé como meio de
alcançar suas necessidades físicas e materias urgentes.
Outro aspecto do movimento
religioso está associado às correntes de evangélicos pentecostais de última
geração. Esta categoria de cristãos apresenta-se como aqueles que ‘parecem
entender’ um evangelho que exista os milagres, curas, etc. Para esses, a
experiência do pentecostes é o sinal para mostrar que há poder na igreja e
assim quem tiver apenas fé receberá. Nesse modernismo há uma conformidade com
uma relação bem próxima entre religiosidade e a realidade social. Nesse
sentido, os líderes dessas igrejas sabem que devem utilizar uma ‘doutrina para
ter’ e assim haverá uma reunião de membros que enchem os templos para receber,
obter solução etc. Tais líderes são os mais interessados, também,
em resultados pois sustentam ‘impérios religiosos’ que precisam de muitos
recursos para suas manutenções.
Logo, o mercado religioso cristão
estaria ligado à crença de que a doutrina cristã consiste na necessidade dela
ser útil, propiciando êxito e satisfação aos seus ouvintes. O homem é o
principal sujeito da sua sobrevivência e, consequentemente, responsável para
promover o seu bem-estar. Mas alcançar esse bem-estar significa superar
dificuldades, ou seja, apresentar soluções aos problemas de toda ordem e
natureza. Esta condição transcorre por toda história e de modo mais acentuada
nos tempos modernos, mais ainda no pós-moderno, em que a busca de
resultados são exigidos de modo que o indivíduo é cada vez mais materialista. O
crescimento do conhecimento acompanhado do progresso da tecnologia tem levado a
sociedade a produzir, sustentada num sistema capitalista com propostas
neoliberais pressionando o homem para dar respostas e cada vez mais incentivar
o consumo.
Estes
seguimentos religiosos tem muita aceitação nos tempos de hoje, pois influenciam
muito bem as pessoas para aceitarem uma igreja que faz realizar desejos
pessoais de maneira rápida e instantânea. Nos últimos tempos o cristianismo tem
sido um meio de muitos líderes desenvolverem visões de igreja de ‘resultados
materialistas’. No século XIV surgiu uma corrente filosófica nos EUA criada por
Wiliam James (1842-1910), considerado como uma das grandes figuras do
pensamento norte-americano contemporâneo que, como alicerce do seu pensamento é
caracterizado principalmente por defender que a verdade deve ter como critério
sua eficácia ou utilidade. Um conhecimento é verdadeiro não só quando explica
alguma coisa ou um fato, mas, sobretudo, quando permite retirar consequências
práticas e aplicáveis ( William James (1995)
Este pressuposto de entender ou
de aceitar a verdade, não se trata de algum teste de modo sistemático como a
ciência utiliza. Nesta filosofia, podemos pensar que não existe verdade se não
tiver ou apresentar resultados de bem-estar ou prazer para o homem. Em outros
termos isso significa reduzir a verdade a uma realidade. Vemos assim que a
praticidade, a utilização, não é uma prova no sentido científico, mas é
suficiente para dar veracidade ao propositor ou doutrina. A idéia de
obter ou ter suplementada na razão práticas das coisas, já se encontra no
inconsciente coletivo do povo (imaginário popular). Isto se apresenta em todos
os níveis e tipos de organizações dentro da sociedade.
Na nossa argumentação e
fundamentação terá como base o clássico: A ética protestante e o
"espírito" do capitalismo, escrito por Max Weber, um livro, no
qual ele investiga as razões do capitalismo ter sido desenvolvido inicialmente
em países como a Inglaterra e a Alemanha, concluindo que isso se deve a hábito
de vida instigado ali pelo protestantismo na época, como o calvinismo, o
pietismo e o metodismo (1996, p.43-72). É argumentado frequentemente que esta
obra não deverá ser vista como um estudo detalhado do protestantismo, mas antes
como uma introdução às suas obras posteriores, especialmente no que respeita
aos seus estudos da interação de ideias religiosas com comportamentos
econômicos. Weber avança a tese de que a ética e as ideias puritanas
influenciaram o desenvolvimento do capitalismo. Tradicionalmente, na Igreja
Católica Romana, a devoção religiosa estava normalmente acompanhada da rejeição
dos assuntos mundanos, incluindo a ocupação econômica. Tais conflitos eram
baseados na luta ascética. Ele define o espírito do capitalismo como as
ideias e hábitos que favorecem, de forma ética, a procura racional de ganho
econômico. Weber afirma que tal espírito não é limitado à cultura ocidental,
mas que indivíduos noutras culturas não tinham podido por si só estabelecer a
nova ordem econômica do capitalismo.
Após definir o espírito do
capitalismo, Weber argumenta que há vários motivos para procurar as suas
origens nas ideias religiosas da Reforma Protestante. Weber mostrou que certos
tipos de Protestantismo (em especial o Calvinismo) favoreciam o comportamento
econômico racional e que a vida terrena (em contraste com a vida
"eterna") recebeu um significado espiritual e moral positivo. O
Calvinismo trouxe a ideia de que as habilidades humanas (música, comércio etc.)
deveriam ser percebidas como dádiva divina e por isso incentivadas. Este
resultado não era o fim daquelas ideias religiosas, mas antes um subproduto (p.
43-72, 1996).
Provavelmente o sociólogo
clássico que foi mais longe na análise sociológica do mercado, e contrastar com
a posição de Durkheim. Além de sua tipologia bem conhecida da ação social,
Weber dá uma pista rápida, mas extremamente interessante, dos diversos tipos
possíveis de regulação do mercado. No segundo capítulo da primeira parte de Economia e sociedade,
intitulado "As categorias sociológicas fundamentais da gestão
econômica", Weber explica que a regulação do mercado pode ter quatro tipos
de causa: tradicional, convencional, jurídica ou voluntária (Weber, 1991). Essa
tipologia nos permite abordar os temas da tradição, das regras morais e das
regras jurídicas, abordaremos uma questão preliminar, qual seja, a definição
sociológica do mercado, que implica a análise de sua dimensão e penetração na
Igreja do Poder de Deus, igreja
analisada e pesquisada nesta dissertação.
William James (1842-1910) - O livro As Variedades da
Experiência Religiosa foi lançado pela primeira vez em junho de 1902
REFERÊNCIAS
WEBER, Max. Economia e sociedade. Brasília: UnB, 2000.
Julio
Rique http://www.dhi.uem.br/ gtreligiao- Artigos
JAMES,
W. As Variedades da
Experiência Religiosa. São Paulo: Cultrix, 1995.
JAMES,
W. Pragmatismo,
1907 In: Coleção Os
Pensadores: William James. São Paulo: Abril Cultural, 1979.
WEBER,
Max. A Ética Protestante e o Espírito Capitalista, 11ª
Ed, São Paulo, Pioneiro, p.43-72, 1996.


1 Comentários