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O Mercado Religioso - Pr. Pedro Inácio de Lima Neto


O homem de hoje busca viver para si, embebidos nos prazeres e necessidades de bens materiais. Enquanto isso, a questão religião/espiritualidade é cada vez mais um elemento que o ajude na busca de tais prazeres. Há hoje um mercado religioso na busca transcendência de um Deus doador. Em tais igrejas este movimento ficou conhecido como a teologia da prosperidade. Nesses grupos religiosos seus líderes são ‘promotores da fé’ através da alimentação da esperança condicionada a um pensamento positivo e de necessidades pessoais. Esse tipo de religião dos últimos tempos tem de fato um caminhar de mãos dadas com os bens materiais. Elas estão apresentando um cristianismo em que podemos receber todo tipo de bem-estar espiritual e principalmente o material. Em outras palavras, é exercer a fé como meio de alcançar suas necessidades físicas e materias urgentes.
Outro aspecto do movimento religioso está associado às correntes de evangélicos pentecostais de última geração. Esta categoria de cristãos apresenta-se como aqueles que ‘parecem entender’ um evangelho que exista os milagres, curas, etc. Para esses, a experiência do pentecostes é o sinal para mostrar que há poder na igreja e assim quem tiver apenas fé receberá. Nesse modernismo há uma conformidade com uma relação bem próxima entre religiosidade e a realidade social.  Nesse sentido, os líderes dessas igrejas sabem que devem utilizar uma ‘doutrina para ter’ e assim haverá uma reunião de membros que enchem os templos para receber, obter solução  etc.  Tais líderes são os mais interessados, também, em resultados pois sustentam ‘impérios religiosos’ que precisam de muitos recursos para suas manutenções.
Logo, o mercado religioso cristão estaria ligado à crença de que a doutrina cristã consiste na necessidade dela ser útil, propiciando êxito e satisfação aos seus ouvintes. O homem é o principal sujeito da sua sobrevivência e, consequentemente, responsável para promover o seu bem-estar. Mas alcançar esse bem-estar significa superar dificuldades, ou seja, apresentar soluções aos problemas de toda ordem e natureza. Esta condição transcorre por toda história e de modo mais acentuada nos tempos modernos,  mais ainda no pós-moderno, em que a busca de resultados são exigidos de modo que o indivíduo é cada vez mais materialista. O crescimento do conhecimento acompanhado do progresso da tecnologia tem levado a sociedade a produzir, sustentada num sistema capitalista com propostas neoliberais pressionando o homem para dar respostas e cada vez mais incentivar o consumo.
Estes seguimentos religiosos tem muita aceitação nos tempos de hoje, pois influenciam muito bem as pessoas para aceitarem uma igreja que faz realizar desejos pessoais de maneira rápida e instantânea. Nos últimos tempos o cristianismo tem sido um meio de muitos líderes desenvolverem visões de igreja de ‘resultados materialistas’. No século XIV surgiu uma corrente filosófica nos EUA criada por Wiliam James (1842-1910), considerado como uma das grandes figuras do pensamento norte-americano contemporâneo que, como alicerce do seu pensamento é caracterizado principalmente por defender que a verdade deve ter como critério sua eficácia ou utilidade. Um conhecimento é verdadeiro não só quando explica alguma coisa ou um fato, mas, sobretudo, quando permite retirar consequências práticas e aplicáveis ( William James (1995)
Este pressuposto de entender ou de aceitar a verdade, não se trata de algum teste de modo sistemático como a ciência utiliza. Nesta filosofia, podemos pensar que não existe verdade se não tiver ou apresentar resultados de bem-estar ou prazer para o homem. Em outros termos isso significa reduzir a verdade a uma realidade. Vemos assim que a praticidade, a utilização, não é uma prova no sentido científico, mas é suficiente para dar veracidade ao propositor  ou doutrina. A idéia de obter ou ter suplementada na razão práticas das coisas, já se encontra no inconsciente coletivo do povo (imaginário popular). Isto se apresenta em todos os níveis e tipos de organizações dentro da sociedade.
Na nossa argumentação e fundamentação terá como base o clássico: A ética protestante e o "espírito" do capitalismo, escrito por Max Weber, um livro, no qual ele investiga as razões do capitalismo ter sido desenvolvido inicialmente em países como a Inglaterra e a Alemanha, concluindo que isso se deve a hábito de vida instigado ali pelo protestantismo na época, como o calvinismo, o pietismo e o metodismo (1996, p.43-72). É argumentado frequentemente que esta obra não deverá ser vista como um estudo detalhado do protestantismo, mas antes como uma introdução às suas obras posteriores, especialmente no que respeita aos seus estudos da interação de ideias religiosas com comportamentos econômicos. Weber avança a tese de que a ética e as ideias puritanas influenciaram o desenvolvimento do capitalismo. Tradicionalmente, na Igreja Católica Romana, a devoção religiosa estava normalmente acompanhada da rejeição dos assuntos mundanos, incluindo a ocupação econômica. Tais conflitos eram baseados na luta ascética.  Ele define o espírito do capitalismo como as ideias e hábitos que favorecem, de forma ética, a procura racional de ganho econômico. Weber afirma que tal espírito não é limitado à cultura ocidental, mas que indivíduos noutras culturas não tinham podido por si só estabelecer a nova ordem econômica do capitalismo.
Após definir o espírito do capitalismo, Weber argumenta que há vários motivos para procurar as suas origens nas ideias religiosas da Reforma Protestante. Weber mostrou que certos tipos de Protestantismo (em especial o Calvinismo) favoreciam o comportamento econômico racional e que a vida terrena (em contraste com a vida "eterna") recebeu um significado espiritual e moral positivo. O Calvinismo trouxe a ideia de que as habilidades humanas (música, comércio etc.) deveriam ser percebidas como dádiva divina e por isso incentivadas. Este resultado não era o fim daquelas ideias religiosas, mas antes um subproduto (p. 43-72, 1996).
Provavelmente o sociólogo clássico que foi mais longe na análise sociológica do mercado, e contrastar com a posição de Durkheim. Além de sua tipologia bem conhecida da ação social, Weber dá uma pista rápida, mas extremamente interessante, dos diversos tipos possíveis de regulação do mercado. No segundo capítulo da primeira parte de Economia e sociedade, intitulado "As categorias sociológicas fundamentais da gestão econômica", Weber explica que a regulação do mercado pode ter quatro tipos de causa: tradicional, convencional, jurídica ou voluntária (Weber, 1991). Essa tipologia nos permite abordar os temas da tradição, das regras morais e das regras jurídicas, abordaremos uma questão preliminar, qual seja, a definição sociológica do mercado, que implica a análise de sua dimensão e penetração na Igreja do Poder de Deus, igreja analisada e pesquisada nesta dissertação.
William James (1842-1910) - O livro As Variedades da Experiência Religiosa foi lançado pela primeira vez em junho de 1902

REFERÊNCIAS
WEBER, Max. Economia e sociedade. Brasília: UnB, 2000.
Julio Rique http://www.dhi.uem.br/gtreligiao- Artigos
JAMES, W. As Variedades da Experiência Religiosa. São Paulo: Cultrix, 1995.
JAMES, W. Pragmatismo, 1907 In: Coleção Os Pensadores: William James. São Paulo: Abril Cultural, 1979.
WEBER, Max. A Ética Protestante e o Espírito  Capitalista, 11ª Ed, São Paulo, Pioneiro, p.43-72, 1996.


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1 Comentários

Diana Lima disse…
Excelente texto, faz um breve apanhado acerca do mercado religioso, principalmente no âmbito cristão.